José Augusto Varela

Ana Tersuliano
|
20/10/2024 às
12:24

 

José Augusto Varela, nasceu no sítio Recreio,
município Touros/RN, hoje Barra de Maxaranguape, no dia 20 de novembro de 1896,
era filho do general João Varela, herói da guerra do Paraguai. O município
nesse período era Touros haja visto Maxaranguape, ter sido emancipado no dia 17
de dezembro de 1958, pela Lei Estadual 2329/1958.

Aos oito anos, veio para a cidade de Ceará-Mirim,
onde estudou as primeiras letras na escola particular da tia Naninha.

Cursou o primário e o ginásio no Colégio Diocesano
de João Pessoa/PB.

Em 1917, ingressa na tradicional Faculdade de
Medicina, na Bahia. No quarto ano, tornou-se residente na Maternidade “Climério
de Oliveira”. Formou-se na turma de 1922.

Voltando ao Estado, em 1923, passou a clinicar na
cidade de Nova Cruz.

Oportunidade que o governador José Augusto de
Medeiros (1924/27) o convida para dirigir em Natal, o Hospital dos Alienados e
o Hospital de Isolamento de Tuberculosos e para as funções de médico escolar e
de clinico do Instituto da Criança. Permaneceu nestas atividades também na
administração de Juvenal Lamartine, afastando-se delas, em solidariedade a este
governador, deposto pela Revolução de 1930.

Eleito deputado à Assembléia Legislativa, não
conseguiu assumir, também, por causa da mesma Revolução, que fechou as casas
legislativas. Foi então clinicar, inicialmente em Caicó, mudando-se depois para
Pendências. Finalmente, montou consultório em Macau, onde permaneceu exercendo
a profissão de médico competente e humanitário de 1932 até 1963, trabalho este
que era por vezes interrompido quando eleito ou designado para o exercício de
funções e cargos públicos.

Eleito novamente deputado estadual, em 1934,
participou da Assembléia Constituinte do Rio Grande do Norte. Exerceu o mandato
até outubro de 1936, quando renunciou, fazendo um pronunciamento sobre a
indústria salineira.

Voltou à sua clínica em Macau e as suas atividades
de agropecuarista no município de Afonso Bezerra.

Em 1943, foi designado Prefeito de Natal,
permanecendo no cargo até 1945. Foi, portanto, administrador da cidade durante
todo o período da Segunda Guerra Mundial, quando houve a grande transformação
urbana natalense, tanto no crescimento da população, como nos padrões de vida
da sociedade.

Sua administração foi marcada pelo aumento de
arrecadação, que lhe permitiu realizar todas as obras com recursos próprios.

Destaca-se a construção de mercados públicos, do
“Abrigo Juvino Barreto”, para idosos, e da Praça Pio X, onde hoje encontra-se a
Catedral Metropolitana.

Em dezembro de 1945 elegeu-se Deputado à Assembleia
Nacional Constituinte. Após a promulgação da nova carta, passou a exercer o
mandato ordinário. Eleito primeiro governador após o Estado Novo, assume o
mandato em julho de 1947. Na sua gestão, destacaram-se entre inúmeras obras, a
implantação do Departamento de Assistência aos Municípios que deu nova divisão
territorial e judiciária ao Estado e da Escola Agrícola de Jundiaí, em Macaíba.

Em Natal, iniciou a construção do atual Quartel da
Policia Militar, concluiu a primeira etapa do Hospital Colônia dos Psicopatas e
continuou as obras do prédio do Atheneu Norte-rio-grandense, iniciadas pelo
interventor Ubaldo Bezerra.

Criou, em 1943, a Faculdade de Direito de Natal
que, posteriormente, foi incorporada à Universidade Federal.

Eleito vice-governador em 1955, como companheiro da
chapa de Dinarte Mariz, permaneceu no cargo até janeiro de 1960.

Designado para o Tribunal de Contas do Estado,
ocupou a presidência da casa, vindo a aposentar-se como ministro por ter
atingido a idade limite para o serviço público.

Seu nome denomina: Avenida em Natal, escola
estadual em Galinhos/RN, maternidade em Macau/RN, praça de esportes em Jardim
de Piranhas/RN.

Faleceu em Natal no dia 14/07/1976. 

Abaixo a história do seu pai o General João da Fonseca Varela – (João
Varela), herói da Guerra do Paraguai:


O General de Brigada João da Fonseca Varela,
nasceu em Ceará-Mirim, em 2 de dezembro de 1850 e morreu em Natal, aos 81 anos
completos, no mesmo mês do nascimento, dia 12 em 1931.

Herói da Guerra do
Paraguai, último comandante da Fortaleza dos Reis Magos, Chefe de Polícia
(equivalente a Secretário de Segurança) e abolicionista, foi promovido a
general por ato do Presidente Epitácio Pessoa. Recebeu inúmeras distinções,
entre elas a Medalha de Bravura Militar, as Medalhas das Imperiais Ordens de
Cristo e da Rosa e a da Campanha do Paraguai.


Homem de muita bravura, civismo (alistou-se para
a campanha do Paraguai quando tinha apenas 16 anos) e integridade moral, é
motivo de orgulho para a sua cidade de nascimento e para o próprio Rio Grande
do Norte e um estímulo para os seus descendentes e conterrâneos.


Nenhuma voz é mais credenciada do que a de
Câmara Cascudo que a ele dedicou uma de suas Acta Diurna, publicada em 2 de
julho de 1943(*):


“O Presidente Epitácio Pessoa pelo Decreto
3.958, de 24 de dezembro de 1919, conferiu aos oficiais veteranos da Campanha
do Paraguai as honras de General de Brigada.
Por isso João da Fonseca Varela era o General
Varela. 
Recordo-o com saudade. Ato, forte, claro, a
longa barba branca descendo para um busto de atleta, parecia um daqueles boers
do Transval, soldados natos e comandantes desde o batizado.

Cercava-o um halo de
veneração irresistível. A onda nacionalista, deflagrada por Olavo Bilac,
encontrava no velho Varela um centro de atração para o nosso entusiasmo. 
Em todas as festas militares ou civis onde
houvesse multidão, estava presente o veterano do Paraguai, possante, sereno,
fardado, o peito coberto de condecorações. 
Quando as bandas executavam o hino nacional em
continência à bandeira ele tirava o boné da cabeça e ficava hirto. Não fazia
continência à bandeira da República porque não era a sua, a de Caxias, Osório,
Porto Alegre e Pelotas, seus ídolos. 
Disciplinado, saudava apenas a bandeira de sua
Pátria. 
Republicano na Monarquia, era monarquista na
república. Monarquista platônico, respeitador das leis, lembrando sempre o
imperador. 
Nascera num aniversário de D. Pedro II, 2 de
dezembro de 1850. Com dezesseis anos, fugindo de casa, alistou-se voluntário
para a guerra contra o ditador Francisco Solano Lopez, o tiranillo do Paraguai,
a 9 de março de 1865. 
Seguiu no 28º Batalhão até S. Borja, onde este
se dissolveu, comandado pelo norte-rio-grandense José da Costa Vilar.
Incorporou-se ao 36º de Voluntários da Pátria. Alferes, passou para o 36º e
depois para o 48º Batalhão e foi extinto depois de Avaí. 
Varela ficou adido ao 2º batalhão de Infantaria
e posteriormente ao 18º. 
Bateu-se em Avaí, em Curuzu, em Curupaiti, na
ponte de Itororó, em Humaitá, na batalha-modelo de Lomas Valentinas. (…)

Feita a paz voltou a
Natal e regressou ao Exército, sendo alferes efetivo.
(…)
No Rio Grande do Norte teve várias comissões,
todas militares. Comandou a Fortaleza dos Reis Magos, em 1888. Ingressou no
Corpo Policial da Província, sendo capitão e o seu comandante. Enfrentou, em
diligências ásperas, os cangaceiros no interior norte-rio-grandense e
paraibano. ”

O notável Mestre de todos
os norte-rio-grandenses ainda relata que o general vira Caxias, Osório, Porto
Alegre, Pelotas e Fernando Machado, seus heróis, nos acampamentos e nos campos
de batalha, cada qual com a sua característica, todos, entretanto, bravos
guerreiros.


DIZ AINDA O GRANDE HISTORIADOR POTIGUAR QUE DIAS
ANTES DE MORRER, ERGUENDO-SE COM MUITA DIFICULDADE, O VELHO GENERAL FARDOU-SE E
FOI À PRAÇA PEDRO II (HOJE JOÃO TIBÚRCIO), ONDE SE ERGUIA O BUSTO DO IMPERADOR.
DIANTE DO BUSTO, PERFILOU-SE, BATEU UMA CONTINÊNCIA E VOLTOU PARA CASA. PARA
MORRER.


(*) – Cascudo, Luís da Câmara – “O livro das
velhas figuras” – IHGRGN. 1976 (pgs. 84/86)


Com Informações:

Livro 400 Nomes de Natal
e; 

http://www.facebook.com/photo.phpfbid=1391412562442&set=a.1298548760905.32674.1745986839&type=1&ref=notif¬if_t=photo_comment#!/photo.phpfbid=219759128042982&set=a.192837620735133.47892.100000266882272&type=1&theater

Leia a Bíblia!!!

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