Geraldo José da Câmara Ferreira de Melo

Ana Tersuliano
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19/08/2025 às
19:42

(15/03/1987 – 15/03/1991)

Geraldo Melo foi eleito governador do Estado, tendo derrotado o deputado João Faustino (PFL), que contava com o apoio do chamado grupo Maia. Venceu a eleição por apenas 14 mil votos, num eleitorado de um milhão de votantes. Sua vitória foi fruto da obstinação em ganhar um pleito que parecia perdido diante da vantagem do adversário no começo da campanha.

Competente, bom palanqueiro e excelente expositor, começou a ganhar a eleição no corpo-a-corpo com o eleitorado nas grandes e pequenas cidades do interior do Estado, já que desfrutava de posição favorável em Natal, onde o seu partido, o então PMDB, sempre ganhava as eleições. Não mediu esforços para vencer o pleito, e a vitória viria graças, também, ao plano “Cruzado”, que concorreu para que o PMDB elegesse 21 governadores.

Prodígio

Geraldo começou sua vida pública ainda menino de calças curtas, participando de comícios estudantis e depois se transformando em repórter do jornal “Tribuna do Norte”, de Aluízio Alves, que, descobrindo no jovem estudante vocação para a vida pública, incentivou-o não somente no jornalismo, mas na política também. Participou ativamente da campanha que levaria Dinarte Mariz ao governo, em 1955, quando disse a frase que ficou famosa durante a campanha: “Sylvio Pedroza governava de frente para o mar e de costas para o sertão”. Dinarte quis nomeá-lo diretor da Imprensa Oficial, mas foi impedido legalmente porque ele não tinha certificado de reservista. Foi designado secretário particular do governador.

Em 1960, ficou ao lado de Aluízio Alves, em sua caminhada rumo ao palácio do governo. Aluízio, vitorioso, criou o Conselho Estadual de Desenvolvimento (CED), que seria o embrião da futura secretaria de planejamento do Estado, nomeando Geraldo para o cargo no qual ficaria até os idos de 1963, quando se desentendeu com o governador e foi exonerado, juntamente com outros secretários, que pretendiam na época criar a chamada “terceira força”, ou seja, uma opção entre Aluízio e Dinarte. Foi morar em Recife.

CEPAL

Já possuidor do curso da Cepal, que, naquela época, correspondia à graduação em economia, foi aprovado num concurso para técnico da Sudene. Lá trabalhou com Celso Furtado. Desligou-se do órgão para manter uma empresa de consultoria técnica, que teve sucesso nos idos de 60. Depois, enveredou pelo ramo empresarial, até adquirir o controle acionário das usinas Ilha Bela e São Francisco, que seriam fundidas na Companhia Açucareira do Vale do Ceará-Mirim.

Como empresário, Geraldo Melo voltou a residir no Rio Grande do Norte e participar da vida pública. Foi escolhido vice-governador na chapa encabeçada pelo médico Lavoisier Maia, que governou o Estado no período de 1979 a 1983. Teve uma atuação destacada nas vezes em que assumiu o governo, dando-lhe dinâmica e eficiência e conseguindo dividendos políticos junto à opinião pública.

Discordância

No processo de escolha do sucessor de Lavoisier Maia, que voltara a ser feito pelo voto direto, discordou da maneira pela qual seria escolhido o candidato do sistema dominante e passou a fazer parte do grupo denominado “Pacto da Solidão”, liderado pelo senador Dinarte Mariz. Tempos depois, Dinarte reverteu sua posição e passou a apoiar José Agripino, mas Geraldo preferiu seguir os caminhos da oposição e apoiou Aluízio Alves para o governo, em 1982. Concluída a eleição, com a vitória de José Agripino (PDS), renunciou ao cargo de vice-governador do Estado.

Passou quatro anos costurando e implantando o PMDB no Rio Grande do Norte, principalmente no interior, onde praticamente a agremiação partidária não existia. Chegou a 1986 com condições de ser o candidato do partido ao governo do Estado. Mas, se não fosse a sua obstinada luta em acreditar numa vitória que parecia impossível, não teria subido as escadas do palácio Potengi em 15 de março de 1987.

Ponte

Geraldo Melo construiu uma segunda ponte sobre o rio Potengi para desafogar o trânsito na Asa Norte, que também foi beneficiada com uma arrojada área de lazer. Deu ênfase à saúde, construindo em Natal o moderno Centro de Reabilitação Infantil (CRI), para recuperar deficientes físicos, além da construção de hospitais regionais no interior de Estado. Deu prioridade à agricultura, construindo açudes, cisternas, perfurando poços e incentivando a irrigação, principalmente o projeto “Baixo–Assu”. Incentivou a eletrificação rural, em mais de 10 mil propriedades, e a agropecuária. Fez um governo voltado para nossas vocações naturais, sem descuidar-se do social, em cuja área implantou programas para as famílias carentes, construindo casas, creches, abastecimento d’água e saneamento. Deu ênfase à educação, construindo ginásios, escolas e salas-de-aula.

Nas eleições de 1994, foi eleito o senador mais votado do Estado, apesar de ter passado quatro anos sem mandato, porque ficou no governo até o último dia de sua gestão, tendo passado o cargo ao sucessor. Atualmente é o vice-presidente reeleito do Senado da República.

Com informações: imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente –e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra

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