João Medeiros, nascido em Campina Grande (PB), em 30 de julho de 1904, foi promotor público, advogado e escritor. Apesar de haver nascido na Paraíba, João Medeiros Filho sempre proclamou a sua condição de potiguar
adotivo, de que muito se orgulhava.
De Campina Grande, alguns anos depois do seu nascimento, a família mudou-se para Guarabira, onde ele aprendeu as primeiras letras. Transferindo-se depois para Natal, aqui passou a residir com parentes.
Foi em Natal que concluiu seus estudos primários, no Colégio Santo Antônio. Depois, estudou em João Pessoa no Colégio Pio X e no Liceu Paraibano, antes de matricular-se na faculdade de Direito do Recife, onde iria se bacharelar, depois de haver, por dois anos, estudado na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro.
Graduado Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, no ano de 1927, João Medeiros dedicou-se, com todas suas forças, à profissão de advogado. Assim nesse mesmo ano de 1927, ele é nomeado promotor público de Jardim do Seridó primeiro cargo que exerceria, em sua luta pelo Direito e pela Justiça, sendo exonerado do cargo em 1936, pelo interventor Mário Câmara, por questões políticas. Por conta disto, aceita convite do Governo paraibano e, no vizinho Estado exerce por algum tempo as funções de Delegado da Ordem Social.
Em 1935, é nomeado Chefe de Polícia do Governo Rafael Fernandes, cargo que correspondia ao Secretário de Segurança. Como Chefe de Polícia, João Medeiros teve que enfrentar a Intentona Comunista, no mesmo ano de sua designação, sendo inclusive feito prisioneiro e condenado à morte, pelos
insurretos, situação de que se livrou, pela sua serenidade e altivez.
A partir de 1936, João Medeiros abandona o serviço público estadual e passa a dedicar-se integralmente à advocacia, quando, em 1961, é convocado pelo Governador Aluízio Alves a reintegrar-se ao Ministério Público, aposentando-se três anos depois, em 1964. Além de Promotor e Secretário de Segurança, João Medeiros seria ainda Consultor Geral do Estado e Procurador Geral da Justiça do Governo Estadual, em administrações diversas.
João Medeiros não foi, porém, apenas o profissional exemplar, no campo do Direito. Intelectual de renome, deixou algumas dezenas de livros publicados, na área jurídica ou no campo da Literatura. Casado duas vezes a primeira com d. Maria de Lourdes Fernandes e a segunda com d. Etelvina Cortês Emerenciano, deixando oito filhos do primeiro casamento e seis do segundo. Desses apenas dois seguiram os seus passos, como advogados: Jomar Fernandes, do primeiro matrimônio, juiz de direito; João Medeiros Neto, procurador aposentado da UFRN.
Uma das paixões de João Medeiros, foi a praia da Redinha, onde viveu os últimos anos de sua vida, em intensa atividade intelectual. Seu amor pelas letras, valeu-lhe a eleição para a Academia Norte-rio-grandense de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.
A estrada que liga o bairro de Igapó a Praia da Redinha tem nome de Avenida João Medeiros Filho em homenagem ao grande jurista e escritor.
João Medeiros Filho faleceu em Natal no dia 21 de fevereiro de 1987.
Com Informações: Livro 400 Nomes de Natal – Coleção
Natal 400 Anos.
Na foto abaixo, é possível ver a imagem da Avenida Dr. João Medeiros Filho, demarcada com uma linha vermelha, indo do bairro de Igapó até a praia da Redinha.

Natal/RN

Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, foi fundada em 25 de dezembro de 1599 às margens do Rio Potengi. Com uma área de 170,298 km², e população de 817.590 habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estáticas (IBGE), de 2012, é conhecida por suas belezas naturais, lindas praias, dunas, lagoas e coqueiros.
É também conhecida como Cidade do Sol, porque o sol brilha durante o ano todo e só descansa nos períodos de chuva entre março e julho. Além dessas vantagens, Natal é considerada a cidade que possui o ar mais puro da América do Sul e possui um dos mais belos litorais do Brasil, que se estende por mais de 400 Kms e um povo hospitaleiro que recebe os visitantes de braços abertos.
Ponta Negra é a praia mais é a mais badalada da cidade, boa para banhos, com infra – estrutura de hotéis, restaurantes e vida noturna bem agitada. As praias mais paradisíacas ficam nas cidades vizinhas, entre as praias destacam-se Búzios e Barra de Tabatinga ao sul da capital, e as dunas de Genipabu, ao norte, além da Praia da Pipa que fica a 80 Km. A partir de Natal fica fácil conhecer os mais belos lugares do Rio Grande do Norte.
FUNDAÇÃO DA CIDADE

FUNDAÇÃO DA CIDADE
Tudo começou com as Capitanias Hereditárias quando o Rei de Portugal Dom João III, em 1530, dividiu o Brasil em lotes. As terras que hoje correspondem ao Rio Grande do Norte couberam a João de Barros e Aires da Cunha. A primeira expedição portuguesa aconteceu cinco anos depois com o objetivo de colonizar as terras. Antes disso, os franceses já aportavam por aqui para contrabandear o pau-brasil. E esse foi o principal motivo do fracasso da primeira tentativa de colonização. Os índios potiguares, ajudavam os franceses a combater os colonizadores, impedindo, a fixação dos portugueses em terras potiguares.
Passados 62 anos, em 25 de dezembro de 1597, uma nova expedição portuguesa, desta vez comandada por Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, chegou para expulsar os franceses e reconquistar a capitania. Como estratégia de defesa, contra o ataque dos índios e dos corsários franceses, doze dias depois os portugueses começam a construir um forte que foi chamado de Fortaleza dos Reis Magos, por ter sido iniciada no dia dos Santos Reis. O forte foi projetado pelo Padre Gaspar de Samperes, o mesmo arquiteto que projetou a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.
Concluído o forte, logo se formou um povoado que, segundo alguns historiadores, foi chamado de Cidade dos Reis. Depois, Cidade do Natal. O nome da cidade é explicado em duas versões: refere-se ao dia que a esquadra entrou na barra do Potengi ou a data da demarcação do sítio, realizada por Jerônimo de Albuquerque no dia 25 de dezembro de 1599.
Com o domínio holandês, em 1633, a rotina do povoado que começa a evoluir foi totalmente mudada. Durante 21 anos, o forte passou a se chamar Castelo de Keulen e Natal Nova Amsterdã. Com a saída dos Holandeses, a cidade volta à normalidade. Nos primeiros 100 anos de sua existência, Natal apresentou crescimento lento. Porém, no final do século XIX, a cidade já possuía uma população de mais de 16 mil habitantes.
A partir de 1922, o desenvolvimento de Natal ganhou ritmo acelerado com o aparecimento das primeiras atividades urbanas. Pela sua posição geográfica privilegiada é o ponto das Américas mais próximo da Europa, na IIº. Grande Guerra Mundial, já no século XX, serviu de base militar para os nortes americanos, ganhando ares de metrópole internacional, transformando definitivamente Natal e a cidade teve seu nome conhecido por milhões de cidadãos pelo mundo.
Nos anos pós-guerra a cidade continuaria a se desenvolver e sua população cresceria, mas só alguns anos mais tarde é que esse quadro mudaria definitivamente. Foi no início da década dos anos 80 com a construção da Via Costeira este um marco importante. São 10 km de praias com uma excelente rede de hotéis entre as Dunas e o Mar.
DA ARTE DE CONHECER A CULTURA NATALENDE
A definição de cultura é, em última análise, o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade. Seguindo esse conceito, Natal apresenta um rico e diversificado caleidoscópio cultural de cantares, saberes, sensações visuais e táteis ao alcance do espírito humano.
Cidade-berço do etnógrafo, folclorista, pesquisador e escritor, Luís da Câmara Cascudo, Natal apresenta com orgulho suas manifestações folclórico-culturais traduzidas, por exemplo, na tradição dos Congos de Calçola, da Vila de Ponta Negra; do Boi de Reis, de Manoel Marinheiro, e da Sociedade Araruna de Danças Antigas e Semidesaparecidas, fundada pelo saudoso Cornélio Campina. Estes são apenas três arquétipos do patrimônio imaterial da nação natalense.
A cultura popular é tema estudado a fundo pelo mestre Câmara Cascudo, o renovador do folclore brasileiro, e seus discípulos Veríssimo de Melo, Osvaldo Lamartine de Farias e Deífilo Gurgel, que fizeram da vida profissão de fé na defesa e na divulgação do folclore.
Nas artes plásticas, merecem louros e loas os artistas plásticos Newton Navarro – nosso representante da Escola de Paris -, Leopoldo Nelson, Iaponi Araújo e Dorian Gray, continuador da temática de Navarro voltada para a cultura popular e para as tradições enraizadas no imaginário popular.
A alegria contagiante da nossa gente é embalada pelo chorinho de Ademilde Fonseca, pelo forró “arretado” de Elino Julião, pelas marchinhas carnavalescas de Dosinho, pelo samba de Roberta Sá, pelo cantor Leno, ícone da Jovem Guarda, e pela explosão dos mil tons do eclético Isaque Galvão. O romantismo contagiante do cantor Gilliard e das cantoras Núbia Lafaiete e Glorinha Oliveira também dão o tom maior da música potiguar. Todos esses talentos são “abençoados” por Othoniel Menezes e Eduardo Moreira, autores de “Praieira”, espécie de hino informal da cidade.
Ainda é preciso enaltecer a literatura produzida em Natal nos três gêneros literários: prosa, poesia e dramaturgia. Na messe dramatúrgica teatral destaque-se a família Wanderley, que se confunde com o teatro e as letras natalenses. A aptidão para a pena de Ezequiel, Sandoval e José Wanderley sublimam a nossa história artístico-literária. Outros nomes podem ser agregados a essa plêiade, como os dramaturgos Adalberto Rodrigues, Jesiel Figueiredo, Meira Pires e Racine Santos.
Na arte teatral, o grupo Clowns de Shakespeare é referência no Nordeste. Não se pode esquecer também o trabalho consistente do Alegria, Alegria e do Estandarte.
“Rio Grande do Norte,/ capital Natal;/ em cada esquina um poeta,/ em cada rua um jornal.”, já dizia a quadrinha do início do Século 20. Não é à toa que Natal se destaca no panorama poético-literário do país ao gerar talentos do lastro de Auta de Sousa, Jorge Fernandes de Oliveira, Zila Mamede e Miriam Coeli. Nos dias de hoje, ganha vulto a poesia de Marize Castro, Iracema Macedo e Carmem Vasconcelos.
Na prosa, louve-se o pioneirismo de Aurélio Pinheiro e Policarpo Feitosa, afora Peregrino Junior, Afonso Bezerra, Newton Navarro, Jayme Hipólito e Eulício Farias de Lacerda. Mais recentemente, o escritor Nei Leandro de Castro ganhou notoriedade nacional ao ter seu romance “As Pelejas de Ojuara”, adaptado para a tela pelo cineasta natalense Moacyr de Góes e rebatizado de “O Homem Que Desafiou o Diabo”.
Por toda essa riqueza e diversidade cultural e artística, Natal enleva o espírito humano na grande viagem do homem em busca do conhecimento de si mesmo e de seu semelhante.
Pesquisa: Paulo Jorge Dumaresq
PALÁCIO FELIPE CAMARÃO

O prédio do Palácio Felipe Camarão foi construído no ano de 1922, pelo construtor Miguel Micussi, sendo inaugurado no mesmo ano no dia 7 de setembro, marcando o Centenário da Independência do Brasil, na administração do governador Antônio José de Melo e Souza (1920-1924) e do intendente municipal Teodósio Paiva. Antes, havia no local um casarão de linhas coloniais onde funcionava a Presidência da Intendência Municipal.
A sede da Prefeitura recebeu o nome de “Palácio Felipe Camarão” através da Lei 359/A, de 1955, em homenagem ao índio Poti, que era o chefe dos Potiguares, tribo que habitava as margens do Rio Potengi.
O índio Poti nasceu na aldeia de Vila Velha, em Igapó, e em 1612 foi catequizado e batizado juntamente com a sua esposa Clara Camarão passando a chamar-se Antônio Felipe Camarão. O primeiro nome, em homenagem ao santo do dia; o segundo, ao rei de Portugal; e o terceiro, representa a tradução da palavra indígena Poti.
Felipe Camarão se destacou nas lutas para expulsão dos invasores holandeses na capitania de Pernambuco. Por conta de sua bravura, o rei de Portugal, em 16 de maio de 1633, concedeu-lhe um brasão de armas e nomeou-o capitão mor de todos os índios do Brasil, passando, a partir daí, usar a palavra Dom, antes do nome, como indicativo de nobreza. Recebeu ainda a comenda dos Moinhos de Soure, do mesmo rei de Portugal. Dom Antônio Felipe Camarão morreu no ano de 1648, em Várzea, nos arrebaldes de Recife, PE.
Pesquisa: Udymar Pessoa
HINO DA CIDADE DO NATAL
No início do XXI, em 30 de setembro de 2001, a Prefeitura de Natal oficializou o Hino a Natal, com letra e melodia compostas pelo professor Waldson José Bastos Pinheiro. Em sua primeira audição, a obra foi executada pela Orquestra Sinfônica do Munícipio, que a gravou ao vivo em solenidade realizada no Teatro Alberto Maranhão.
I
Natal, Cidade-Sol,
Tu representas tanto para mim!
No início, Forte dos Reis Magos,
Cidade Alta, Ribeira e Alecrim.
Daí, sempre a crescer,
Um cajueiro, galhos a estender,
Brotou nas Rocas, Quintas e Tirol,
Em Igapó, Redinha e Mirassol.
Chegou à Zona Norte,
Em Mãe Luíza se enraíza no farol.
O mar, enamorado,
Colar de praias te presenteou;
E o Potengi amado,
Em teu regaço, com o porvir sonhou.
Natal, provinciana,
A tua história nos contou Cascudo:
A luta com o batavo,
As procissões, o pastoril, o entrudo.
II
Natal, Cidade-Sol,
Tu representas tanto para mim!
No início, Forte dos Reis Magos,
Cidade Alta, Ribeira e Alecrim.
Daí, sempre a crescer,
Um cajueiro, galhos a estender,
Brotou em Morro Branco e Bom Pastor,
Em Candelária, Felipe Camarão.
Do Morro do Careca,
Em Ponta Negra vem rolando até o chão.
O mar, enamorado,
Colar de praias te presenteou;
E o Potengi amado,
Em teu regaço, com o porvir sonhou.
Natal espacial:
Ao céu, foguete vai levar mensagem
De amor e esperança
A quem, fiel, evoca a tua imagem.
Composição: Waldson José Bastos Pinheiro
BANDEIRA DA CIDADE DO NATAL

A bandeira foi criada por meio da Lei Municipal nº 978 em 8 de dezembro de 1959, a Bandeira do Munícipio de Natal é constituída de duas faixas horizontais, verde na parte superior e uma branca na parte inferior, com o brasão de armas do município no centro. A bandeira foi descrição detalhada:
– Formato: Retangular, com proporção de 2 por 3 (altura por largura).
– Cores: Verde (na parte superior) e branco (na parte inferior).
– Brasão: Localizado no centro da bandeira, sobre a faixa branca.
– Significado das cores: O verde representa a esperança, e o branco representa a paz.
Outras informações:
– A bandeira é hasteada diariamente na sede da Prefeitura, durante o horário de expediente e em feriados.
BRASÃO DE ARMAS

Em 23 de agosto de 1909, o Governo Municipal de Natal, oficializou o Brasão de Armas do município. Ele é composto por um escudo azul coroado na parte externa e por uma estrela caudada de ouro, que é símbolo da cidade, na parte interna. Abaixo, uma faixa azul com a palavra NATAL, em letras de ouro. O brasão de armas do município é um elemento importante da bandeira e contém símbolos que representam a história e a cultura de Natal.
O brasão foi criado por Luís da Câmara Cascudo, um importante estudioso da cultura potiguar. O mesmo é usado no timbre dos papéis oficiais do município.
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – E-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com
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