Radir Pereira de Araújo

Ana Tersuliano
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15/08/2025 às
07:41

(15/05/1986 – 15/03/1987)

Com a renúncia do governador José Agripino para disputar uma cadeira no Senado da República, assumiu o governo do Rio Grande do Norte o vice-governador Radir Pereira de Araújo*, tendo passado o governo do Estado ao empresário Geraldo Melo, que, eleito governador no pleito de 1986, seria empossado no ano seguinte.

Embora ligado politicamente aos Maia, Radir Pereira, como governador, ficou eqüidistante do pleito, presidindo-o como se fosse um magistrado e repetindo o gesto de Sylvio Pedroza nos idos de 1950, quando adotou uma posição de neutralidade entre o candidato da UDN, Dinarte Mariz, e o candidato do seu partido (PSD), Jocelin Vilar. A visão de estadista de Sylvio estava acima das brigas paroquiais e provincianas.

PTB

Petebista histórico e seridoense de Currais Novos, Radir Pereira exerceu quatro mandatos de deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro, herdeiro natural, naquela época, da bandeira erguida por Getúlio Vargas e das aspirações dos trabalhadores. Em 1965, seria o candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo monsenhor Walfredo Gurgel. Mas foi necessária uma composição de última hora e, na praça pública de Currais Novos, o então governador Aluízio Alves lhe fez um apelo, que foi atendido, no sentido de renunciar à sua candidatura em favor do presidente do seu partido, o deputado Clóvis Coutinho da Motta.

Com a extinção dos partidos, foi parar na oposição representada pelo então MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Em 1978, seria o candidato natural do partido ao Senado da República, mas um acordo político firmado entre os ex-governadores Tarcísio Maia e Aluízio Alves selou sua sorte. Apesar de derrotado, lutando sozinho, Radir teve o consolo de ter sido o candidato vitorioso em Natal, perdendo a eleição pela maioria esmagadora da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) no interior do Estado, que elegeu o senador Jessé Freire.

Troco

Em 1982, para dar o troco ao ex-governador Aluízio Alves, a quem culpara pela derrota, aliou-se ao grupo Maia. Era o candidato natural ao Senado, mas uma composição política o fez candidato a vice-governador compondo a chapa encabeçada por Agripino, e o deputado Carlos Alberto foi guindado à condição de candidato ao Senado.

Foi um vice-governador de absoluta confiança. Tanto que o ex-governador José Agripino não teve receios de renunciar ao mandato para disputar o Senado. Como governador do Estado, continuou o plano de obras traçado e executado por José Agripino, adotando como “slogan” de sua administração: “Continuar para concluir”.

Estadualização

A realização de maior destaque do governo Radir Pereira foi a estadualização da Universidade Regional do Rio Grande do Norte, em Mossoró. Aquela instituição, incorporada ao sistema estadual de ensino, viu-se livre do fantasma das crises financeiras pelas quais passava.

Radir Pereira, sensível aos anseios da comunidade universitária mossoroense, tendo no reitor padre Sátiro Cavalcante Dantas o seu porta-voz, e com o aval dos candidatos à sua sucessão, João Faustino e Geraldo Melo, encaminhou à Assembléia Legislativa anteprojeto que, por ele sancionado, converteu-se na lei número 5.546, de 08/01/87, com a qual a FURRN foi definitivamente incorporada ao governo do Estado, denominando-se hoje Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Ninguém foi capaz, no calor do debate político ou mesmo na disputa de campanha, de lhe fazer uma acusação sequer. Isentou a máquina administrativa de qualquer participação no pleito e não admitiu violência política contra quem quer que fosse. Fez um governo de paz, convivendo com os contrários, a exemplo do que já tinha sido feito pelo ex-governador Walfredo Gurgel, na década de 60.

*Substituto constitucional: o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Willy Saldanha e, no impedimento deste, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Danilo Barbalho Simonetti, que chegou a assumir o governo.

Com informações: imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente –e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra

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