(15/03/1975 – 15/03/1979)
O governador Tarcísio Maia* conheceu os lados extremados da política do Rio Grande do Norte. Foi radical e conciliador. Incendiário e bombeiro. Conviveu com o ostracismo e o fascínio do poder. No governo, o radical do passado era um homem sensato e prudente. Aliou-se ao mais tradicional adversário para assegurar a eleição de Jessé Freire ao Senado da República, desgostando seu parente e aliado de sempre, o ex-governador Dinarte Mariz.
Foi articulador da “Paz Pública” e da convivência dos contrários na política do Rio Grande do Norte. Essa harmonia, que durou todo o período do seu governo, lhe permitiu construir uma obra administrativa que marcou sua presença na vida pública. Foram construídas mais de mil salas-de-aula, 500 quilômetros de estradas pavimentadas, além da Via Costeira, cartão postal do pólo turístico de Natal. Foi o precursor do projeto Pólo Gás-Sal, que está sendo implantado pelo atual governo do Estado.
Zona Norte
Construiu os centros de agricultura de Caicó e Mossoró, para incrementar a agropecuária do Rio Grande do Norte; implantou os CSU (Centros Sociais Urbanos), em Natal e nas principais cidades do interior do Estado, incentivando a educação, o esporte e o lazer nas comunidades carentes. Construiu em Natal os colégios profissionalizantes de Candelária e Mirassol, denominando-os de “Walfredo Gurgel” e “Floriano Cavalcanti”, respectivamente.
Construiu os conjuntos habitacionais da Zona Norte, em Natal, os quais, mais tarde, foram consolidados nos governos Lavoisier Maia e José Agripino (primeiro mandato), quando foram construídas cerca de trinta mil casas, nas duas gestões.
Descobriu a vocação do Estado para o turismo, construindo uma rede de hotéis em cidades com vocação turística, projetados pelo renomado arquiteto Paulo Casé, dentre eles, o Hotel “Termas” de Mossoró, considerado um dos melhores e mais bem equipados do interior do Nordeste, além do “Serrano” de Martins, cidade que conta com o melhor clima do Estado e que também recebeu do seu governo o benefício do acesso pavimentado à serra em que está localizada.
Estrategista
Tarcísio Maia foi o maior estrategista político do Rio Grande do Norte e o responsável direto pelo surgimento do ciclo Maia, que, durante doze anos, governou o Rio Grande do Norte, resultando daí as lideranças de José Agripino, Lavoisier Maia e Vilma de Faria, prefeita de Natal. Tarcísio, nos bastidores, conhecia como ninguém os caminhos e veredas que davam acesso ao poder.
Tinha todas as condições para continuar na vida pública, mas preferiu sair na hora certa. Soube parar. Teve a candidatura ao Senado nas mãos, inclusive com o apoio do ex-governador Aluízio Alves, velho companheiro dos tempos de UDN. Preferiu renunciar à postulação, em favor do deputado federal Jessé Freire. Mas, nos bastidores, agindo como estrategista, ficou doze anos no poder e viu o surgimento do filho José para sucedê-lo na vida pública do Rio Grande do Norte, legitimado pela vontade popular.
Alto, elegante, sempre bem vestido, sapatos polidos, Tarcísio, apesar de exigente no vestuário, era um homem de hábitos simples. Sua governanta Estelita já conhecia seu prato preferido: espinhaço de carneiro com cuscuz, na fazenda “São João”, em Mossoró, seu refúgio predileto quando visitava o Rio Grande do Norte, após ter deixado o governo.
Apesar de ser um homem formal, era capaz de gestos desmedidos para atender a um amigo, em qualquer circunstância. Quando era presidente da Alcanis, renunciou ao cargo quando o governador José Agripino rompeu com o presidente João Figueiredo para formar o grupo dissidente do PDS, denominado “Frente Liberal”, que elegeu Tancredo Neves e José Sarney à presidência da República. Tarcísio preferiu ficar ao lado do filho.
Governo o Estado sem perseguir ninguém. Nem admitia politicagem contra servidores humildes, notadamente professores. Certa vez ameaçou botar para fora do gabinete um deputado e um prefeito da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) que vieram ao palácio pedir a demissão de uma professora primária. No governo, sua marca era a austeridade.
Realizou um governo eficiente. Marcou com seu estilo sóbrio a vida pública do Rio Grande do Norte. Seu último cargo foi a vice-presidência da Petroquisa, empresa do sistema Petrobras, no governo José Sarney, atendendo a convite do ministro de Minas e Energia, Aureliano Chaves, seu amigo e companheiro da Frente Liberal, uma dissidência do PDS, aliada ao PMDB, que apoiou a “Aliança Democrática” e levou Tancredo/Sarney à vitória no Colégio Eleitoral, através de pleito indireto. Tarcísio Maia nasceu no dia 26/08/1916, em Catolé do Rocha (PB), e faleceu no Rio de Janeiro, em 10/04/98, aos 81 anos de idade.
Peixada
Quando passava por Natal, dava uma passada obrigatória na “Peixada da Comadre”. “O peixe e o pirão são inigualáveis. Nunca vi nada semelhante onde andei, por esse mundo afora”. Conversa amena, gestos medidos, voz mansa, nem parece o Tarcísio Maia dos anos 60, quando era capaz de descer do palanque para enfrentar um desordeiro que perturbava seu comício.
Foi secretário de educação no governo Dinarte Mariz, deputado federal, presidente do IPASE, representante do Ministério da Educação junto à SUDENE, governador do Estado e presidente da Companhia Nacional de Álcalis e da Petroquisa, uma das subsidiárias da Petrobras. Tinha tudo para ser eleito senador da República em 1978. Aluízio propôs apoiá-lo. Ele não aceitou a indicação: “Você tem condições de me apoiar; mas, mais ainda a Jessé, que sempre foi seu amigo”. A paz pública terminou bem antes das eleições de 82.
Admirações
Amigo do general Golbery e do presidente Ernesto Geisel, Tarcísio foi responsável pelo ciclo Maia na política do Rio Grande do Norte, proporcionando continuidade administrativa. A Via Costeira, obra de três governos, dificilmente teria sido concluída, num país onde os governantes geralmente não concluem obras de seus antecessores.
Tarcísio Maia tinha três admirações na política do Rio Grande do Norte: Dinarte Mariz, Djalma Marinho e Café Filho. “Dinarte era o maior de todos nós. Uma sabedoria nata. Djalma tinha uma cultura invulgar. Uma inteligência privilegiada. Café, por seus próprios méritos, chegou à presidência da República”.
Definia-se como um guerreiro com armas ensarilhadas. Mas não perdeu o gosto pela política. Hábil negociador, sabia atuar nos bastidores com competência. Seu herdeiro político é o filho José Agripino, a quem chamava antes de “Zezinho”, mas que substituiu pelo José, respeitando a liturgia dos cargos por ele exercidos.
Apesar de ser um homem formal, era capaz de gestos desmedidos para atender a um amigo, em qualquer circunstância. Quando era presidente da Álcalis, renunciou ao cargo quando o governador José Agripino rompeu com o presidente João Figueiredo para formar o grupo dissidente do PDS, denominado “Frente Liberal”, que elegeu Tancredo Neves e José Sarney à presidência da República. Tarcísio preferiu ficar ao lado do filho.
Governou o Estado sem perseguir ninguém. Nem admitia politicagem contra servidores humildes, notadamente professores. Certa vez ameaçou botar para fora do gabinete um deputado e um prefeito da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) que vieram ao palácio pedir a demissão de uma professora primária. No governo, sua marca era a austeridade.
Realizou um governo eficiente. Marcou com seu estilo sóbrio a vida pública do Rio Grande do Norte. Seu último cargo foi a vice-presidência da Petroquisa, empresa do sistema Petrobras, no governo José Sarney, atendendo a convite do ministro de Minas e Energia, Aureliano Chaves, seu amigo e companheiro da Frente Liberal, uma dissidência do PDS, aliada ao PMDB, que apoiou a “Aliança Democrática” e levou Tancredo/Sarney à vitória no Colégio Eleitoral, através de pleito indireto. Tarcísio Maia nasceu no dia 26/08/1916, em Catolé do Rocha (PB), e faleceu no Rio de Janeiro, em 10/04/98, aos 81 anos de idade.
Vice-governador: médico Genibaldo Barros, que tinha sido secretário de saúde do governo Cortez Pereira (1971 a 1975).
Com informações: imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente –e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra
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Uma resposta
Grande político. Tive a honra de conhecê-lo!