Aluízio de Andrade Moura

Ana Tersuliano
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10/06/2025 às
07:40

(28/01/1931 – 31/07/1931)

Por ser norte-rio-grandense, o tenente Aluízio Moura, que mais tarde viria a ser general, foi escolhido por Getúlio Vargas para pacificar o Rio Grande do Norte. Dizem alguns historiadores que Vargas, não confiando no tirocínio administrativo de Aluízio, teria indicado o então tenente Ernesto Geisel * para monitorar os seus passos. E o tenente se viu envolvido num episódio sério quando determinou, como chefe de polícia do Estado, a prisão de Café Filho, acusado de criticar os erros do interventor.

Aberto o inquérito, nada foi apurado contra o jornalista e líder político. Geisel atribuiu o fato a uma armação do interventor. Pediu demissão do cargo e foi nomeado secretário de finanças na Paraíba. O fato desgastou o interventor Aluízio Moura, que, seis meses após ter assumido o cargo, pediu exoneração.

Getulista

Aluízio Moura, depois da redemocratização do País, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, em face das suas ligações com Getúlio Vargas. Estava na casa de João Goulart, em 1954, quando este atendeu a um telefonema do palácio do Catete, comunicando o suicídio do presidente Vargas.

Pôde observar o rosto contrito de Jango, os olhos marejados de lágrimas e que só conseguia pronunciar apenas três palavras: “Não é possível.” O que repetiu várias vezes. Jango e Aluízio foram as primeiras pessoas a chegar ao palácio do Catete para ver o corpo inerte do presidente, ainda de pijama, em cima da cama.

João Batista Machado
página 95

Incidente

O general Aluízio Moura foi conspirador da revolução de 30 ao lado de Juarez Távora, José Américo de Almeida, Juraci Magalhães e outros. Como interventor, mandou prender Café Filho pelas acusações que fazia à sua gestão. Segundo Moura, Café queria ser prefeito de Natal, mas, vetado por Juarez Távora, passou a acusá-lo. Nada ficou comprovado, e Café Filho foi solto dez dias depois de preso.

Esse fato apressou a queda do interventor, pouco tempo depois. Antes disso, o tenente Ernesto Geisel pediu demissão do cargo de chefe de polícia e, logo em seguida, seria nomeado secretário de finanças do governo da Paraíba, onde permaneceu por mais de três anos. Aluízio Moura foi também comandante da Polícia Militar, nas interventorias de Irineu Joffily e Mário Câmara, e chefe de polícia no governo José Varela, após a redemocratização do País, em 1946.
Aluízio Moura nasceu em Macaíba, em 25/04/1905, e faleceu no Rio de Janeiro, em 13/11/73, aos 68 anos.

  • O tenente Ernesto Geisel chegou ao posto de general de exército e, durante o regime militar, foi presidente da República no período de 1974 a 1978.

Perfil da República no Rio Grande do Norte (1889-2003)
página 96

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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