O Bonde Rapa-Coco

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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02/05/2025 às
12:53

Em Natal, no dia 4 de julho de 1916, o jornal A República publicava um verso sobre o bonde que fazia a linha de Petrópolis, já apelidada pelos usuários de “bonde rapa-coco”.

“Rapa-coco – isso é menina

Rapa barriga da gente

Rapa tudo e as tripas tira

Sem deixar uma semente

O tal bonde, uma senhora 

Antes de parar, primeiro 

Atirou-a, sem demora

No colo de um cavalheiro

E o cavalheiro num gesto

Revelando-se gentil

Fez contra o bonde um protesto

Pedindo desculpas mil”.

Os bondes elétricos haviam sido inaugurados no dia 2 de outubro de 1911, pelo governador Alberto Maranhão, juntamente com a luz elétrica. A partir de agosto de 1912, passavam também a servir a Petrópolis e, posteriormente, ao Alecrim e Tirol.

Os bondes, que tinham uma série de proibições aos passageiros, eram motivos de piadas e irreverências, que deram origem ao apelido de rapa-coco.

Algum tempo depois, a população, insatisfeita com os serviços prestados pelos bondes elétricos, revoltou-se contra a Empresa de Tração, Força e Luz.

Nessa época, vale salientar que, em função da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a compra de peças de reposição para os bondes, que era feita na Europa, encontrava muitas dificuldades.

Então, em outubro de 1916, alguns desordeiros quebraram todas as lâmpadas de 32 velas de iluminação pública, desde Areia Preta até a Avenida Deodoro, inutilizando também os braços de sustentação dos postes de ferro.

Aproveitando-se da escuridão, vários elementos colocaram pedras nos trilhos do bonde, o que poderia ter ocasionado desastres sérios, se os motorneiros não dobrassem a vigilância sobre os mesmos.

Nessa época, o governador Ferreira Chaves reuniu os seus secretários para debater acerca daquela revolta popular, concluindo, no final da reunião que, bem ou mal, o contrato de exploração dos serviços de bonde era um ato de poder público, que tinha que ser cumprido e somente podia ser reformado pelos meios legais, sendo contraproducente e escusado apelar para as massas populares em um assunto que não podiam intervir, mesmo porque ao Governo não era lícito agir sob pressão, quase sempre desorientada, das paixões populares, e que os melhoramentos que o público reclamava, alguns, fundamentados, não podiam ser realizados de imediato, devido às dificuldades insuperáveis da conflagração europeia.

Durante quase meio século, até meados dos anos 50, os bondes elétricos circularam pelas ruas da Cidade, embelezando e servindo à população natalense.

Com o aumento da população, em 24 de janeiro de 1929, o Decreto 415 autorizava a circulação dos primeiros ônibus da Cidade. Porém, a população ainda preferia o bonde elétrico, até que, durante a II Guerra Mundial, várias empresas de ônibus surgiram e foram suplantando os antigos bondes.

Com informações e imagem livro: Antiqualha – Elísio Augusto de Medeiros e Silva.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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