Padre Pinto

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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18/03/2025 às
09:00

Em fevereiro de 1888 a Câmara Municipal mudou o nome da Rua do Fogo para RUA PADRE PINTO. Não mudaram a denominação, mas rara será a pessoa que recorde o Padre Pinto, patrono da rua, famosa pelas alegrias e festas passadas.

O Padre Manuel Pinto de Castro, Padre Pinto, era irmão de Frei Miguelinho, filho do português de igual nome ao seu e de D. Francisca Antônia Teixeira.

Tive a fortuna de encontrar as datas extremas da existência do Padre Pinto. Do nascimento e batizado deparei logo em duplicata, no mesmo livro, desirmanado, incompleto, rasgadíssimo, que está no arquivo do Instituto Histórico. Por ambos os assentos, assinados pelo mesmo vigário da Matriz, Padre Pantaleão da Costa de Araújo, verifica-se que o reverendo Padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, batizou e pôs os Santos Óleos em Manuel, duas vezes, a 20 de setembro de 1774 e a 22 de setembro de 1774. O nascimento se deu a 30 de agosto ou a 3 de agosto do mesmo 1774. O segundo registro não alude ao primeiro, dez páginas antes.

Assim religado a igreja católica o pequeno Manuel não podia deixar de ser padre, e se ordenou, onde e quando ignoro, presbítero do hábito de S. Pedro. Teve, como se sabe, três irmãos sacerdotes.

Foi o primeiro Presidente do Conselho Geral da Província, instalado a 1º de dezembro de 1830, membro do Conselho Geral do Governo, Coadjutor da Matriz, Secretário do Governo sob Administração do tenente-coronel José Inácio Borges, vice-presidente da Assembleia Provincial logo na legislatura inicial, 1835-37, presidindo ainda a Junta do Governo, eleito empossado a 18 de março de 1822 e que governou até 24 de janeiro de 1824.

Como membro do Conselho da Província administrou duas vezes, de 2 a 24 de setembro de 1832 e de 8 de outubro de 1832 a 23 de janeiro de 1833.

Quando se proclamou a Independência do Brasil, Padre Pinto governava o Rio Grande do Norte. Coube-lhe a honra de presidir os festejos oficiais e jurar fidelidade ao Imperador D. Pedro I.

As comemorações tiveram lugar nos dias 20, 21 e 22 de janeiro de 1823. Missa solene e “Te Deum”, que o escrivão vitalício da Câmara, Manuel José de Moraes, escreveu Thedeo, na Matriz, luminárias durante três dias nas casas particulares. O Padre Pinto, a 22 de janeiro de 1823, Presidente da Junta de Governo, dirigiu a cerimônia da Aclamação Imperial, na Rua Grande, diante da Matriz, com a gente ilustre, tropa de primeira e segunda linha, Senado da Câmara, membros do Governo, clero, nobreza e o povo que acompanhou as três vivas.

Depois todo mundo assinou o “termo”, registrando ato solene.

O Padre Pinto morou na Rua do Fogo mas, nos últimos anos, residia no número 716, da Rua Sant’ Antônio, onde faleceu. Nessa casa nasceu e morreu o seu sobrinho e afilhado, Bonifácio Câmara, o coronel Bonifácio, chefe conservador.

O Padre Pinto era uma criatura pequenina, gorda, andando depressa, gostando de ouvir histórias e achando graça, nas anedotas. Esperava a hora da ceia debaixo das gameleiras da Praça da Alegria, até que o escravo Zeferino o viesse, ao toque das Trindades, avisar que a comida estava na mesa. Padre Pinto respondia com a mesma pilhéria: da mesa e bote nos pratos, Zeferino.

Apesar de querer imensamente ao seu escravo, Padre Pinto deu uma dúzia de bolos em Zeferino porque esse anunciou uma chuva e esta não veio.

-Não quero físicos, astrólogos e adivinhos em minha casa, está ouvindo, Zeferino?

Era, entretanto, político decidido, implacável e amigo dos amigos. O tempo adoçou-o, tornando-o sereno tolerante e adorado por todos. Faleceu no mês em que completaria setenta e seis anos.

Morreu a 2 de agosto de 1850. Sepultaram-no na Matriz. Anos depois seus ossos foram enterrados no Cemitério Público, num túmulo de alvenaria que ainda resiste.

O resto, o tempo, com suas mãos de cinza, apagou…

Crônica publicada no Jornal A República em 09 de junho de 1942.

Com Informações e Imagens Livro: Actas Diurnas – Crônicas de Luís da Câmara Cascudo.

Foto da capa: Acervo Luduvicus – Instituto Câmara Cascudo.

Colaboração: Aladim Potiguar – Blog do Cobra.

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