Uma Parte da História do Sal no Estado do Rio Grande do Norte, entre 1605 e 1862

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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17/03/2025 às
09:25

O sal sempre foi, tradicionalmente, conhecido pelos moradores da Capitania, Província e Estado, em face de sua abundância natural aos olhos de todos, nas águas litorâneas do norte do Rio Grande. Viu-se em páginas anteriores que Jerônimo de Albuquerque dera aos filhos Antônio e Matias, em agosto de 1605, umas salinas que existiam a quarenta léguas daqui para o lado do Norte.

Já em 1607, havia exportação do sal para o Sul. O imposto de mil réis sobre cada dez alqueires, foi criado por um alvará com força de lei em 24 de novembro de 1802. O primeiro arrematante do imposto do sal foi Álvares do Quental. As salinas de Mossoró, litoral de Areia Branca, Açu e Macau, começaram sua exploração normal a partir de 1802.

O próprio D. João VI não recebendo mais carregamento de sal de Portugal, assinava uma carta régia que determinava o carregamento de sal do Rio Grande do Norte para o Rio de Janeiro, ilha de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As salinas passaram a produzir mais e aumentaram suas atividades. Com o passar do tempo, já nem sequer se pagava o dízimo, o que motivou a reclamação do governo da Capitania para o Príncipe Regente. Uma provisão, de novembro de 1812, mandava cobrar o dízimo e arrematá-lo, por não ser “imposto real” e “e sim uma obrigação de preceito divino”. A medida surtiu efeito em 1814, as salinas já rendiam 112$670 réis.

O comércio do sal crescia seu fluxo e a Província passava a acreditar na sua importância econômica.

Em Macau, 59.895 alqueires de sal foram carregados por setenta e oito barcos na safra de 1844-45. Mas já em 3 de maio de 1849, o Presidente Benvenuto Augusto de Magalhães Taques, num discurso que fez, mostrava sua preocupação com o sal norte-rio-grandense. Passava a ser um problema pela grande concorrência estrangeira. Os processos de obtenção do sal eram muitos primitivos, apesar do produto ser superior pela sua qualidade, mas se tornava inferior pela rudeza das formas de produção. O sal europeu era melhor preparado e de melhor preço. Pode-se verificar o declínio da produção do sal no período:

1845-46 ——————————–59.895 alqueires;

1846-47 ——————————–54.01/2 alqueires;

1847-48———————————18.346 alqueires;

1849————————————-11.534 alqueires.

Fonte: História do Rio Grande do Norte, de Câmara Cascudo, p. 386.

Segundo Cascudo, houve em 1860 uma vertiginosa ascensão na produção do sal, atingindo 104 -145 alqueires. Em fevereiro de 1862, o Presidente Pedro Leão Veloso sintetizava sua opinião numa frase: “Mais largamente explorados seriam nossas salinas, se o seu sal pudesse competir com o estrangeiro; e para as charqueadas achassem mercado no Rio Grande do Sul; o que é impossível atentas as despesas do transporte, em razão do monopólio da navegação de cabotagem por navios nacionais”.

Com informações livro: Evolução Econômica do Rio Grande do Norte – (Do Século XVI ao Século XX) – Paulo Pereira dos Santos

Foto: Canindé Soares

Aladim Potiguar – Colaborador do Blog do Cobra.

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