Na condição de cidadão, informo que inicio este texto com grande dificuldade em escrevê-lo, devido à complexidade de seu contexto. No entanto, senti-me na obrigação de fazê-lo para apresentar minha humilde opinião sobre o projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa do RN, que tem como objetivo a mudança do nome da Ponte Newton Navarro para Ponte Wilma de Faria.
Acompanhei todo o processo de construção da Ponte Newton Navarro, pois, na época, trabalhava na Assembleia Legislativa como assessor parlamentar do Deputado Estadual Paulinho Freire. Lembro-me de que acompanhei a comitiva que foi com a Governadora Wilma de Faria, deputados estaduais, secretários de estado, membros da construtora e toda a imprensa local. Eles embarcaram na Balsa Forte Redinha e seguiram até o meio do Rio Potengi, onde marcaram o local para o início da construção do primeiro pilar da ponte, dando início à construção dessa magnífica e importante obra.
Lembro que, à medida que a obra avançava a todo vapor, surgiram vários nomes para a ponte: Forte Redinha, Ponte de Todos, Newton Navarro e Luís Romão. Este último era o nome sugerido por um projeto de lei apresentado pelo Deputado Estadual à época, Paulinho Freire, que, na minha opinião, deveria ter sido o nome da ponte. Luís Romão foi um empresário pioneiro em Natal, que criou um serviço de botes a vela e lanchas a motor para a travessia no Rio Potengi. Ele foi pioneiro na travessia, que é, de fato, a função da ponte. Portanto, seria mais apropriado denominar a ponte com o nome de alguém que tivesse vínculo direto com a função da obra. Luís Romão também foi pioneiro na radiodifusão em Natal.
Naquele momento, havia dois projetos de lei tramitando na Assembleia Legislativa, ambos com o objetivo de denominar a ponte. O primeiro projeto, apresentado pela deputada estadual Ruth Ciarlini (Mossoró), sugeria o nome de Newton Navarro. O segundo, de autoria do deputado estadual Paulinho Freire, propunha o nome de Luís Romão, pioneiro na travessia do Rio Potengi.
Lembro-me de que, em uma das visitas da governadora Wilma de Faria à Assembleia Legislativa, tive a oportunidade de falar com ela na saída, pela porta de trás da Assembleia, onde funciona a Procuradoria da Casa. Lembro que me aproximei dela e pedi que a ponte fosse nomeada em homenagem a Luís Romão, devido ao seu vínculo com a travessia, que era a função da obra. No entanto, a Assembleia aprovou o nome de Newton Navarro, e o governo sancionou a lei, denominando a ponte como Ponte Newton Navarro.
Na época, fiquei muito entristecido, pois, ao observar os aspectos técnicos e históricos, acredito que a ponte deveria ter o nome de Luís Romão. Isso manteria a coerência com os aspectos originários do nosso histórico local. Fiz várias indagações, conversei com muitas pessoas e, ainda entristecido, cheguei a cogitar a ideia de judicializar o processo para tentar corrigir o que, na minha opinião, era um erro grave, um dano irreparável para a história de nossa cidade. Porém, por ser Bacharel em Direito e ter um entendimento técnico sobre o tema, além de ter conversado com vários amigos, percebi que a questão foi resolvida não pelos aspectos técnicos, mas pela discricionariedade da Casa Legislativa e do Poder Executivo.
Assim, como vemos, houve um trâmite processual legítimo, em que a Casa Legislativa, com todos os seus parlamentares, utilizando do poder discricionário, aprovou o Projeto de Lei da deputada Ruth Ciarlini, denominando a ponte como Ponte Newton Navarro. Após a aprovação na Assembleia Legislativa, o projeto seguiu para ser sancionado pela governadora Wilma de Faria. Como vimos, tudo foi feito de acordo com a lei, de forma harmoniosa: plenário, deputados e a governadora Wilma sancionaram a lei, tornando realidade o nome da Ponte Newton Navarro. Foi um dia muito feliz para os familiares de Newton Navarro, para a deputada estadual Ruth Ciarlini (autora do projeto), para os deputados que subscreveram o projeto e para a governadora Wilma de Faria, que sancionou a lei, cumprindo, dessa forma, seu dever em todas as etapas da belíssima e imponente obra.
Na minha humilde opinião, não há motivos para mudança. Esta ação fere o poder discricionário dos poderes Legislativo e Executivo. Houve um trâmite processual legal, e, ao meu ver, essa ação abre precedentes para a alteração de nomes de tudo o que já foi oficialmente denominado, o que não é legal. Além disso, coloca em uma situação desconfortável os familiares de Newton Navarro, que não conheço, assim como os familiares da saudosa governadora Wilma de Faria, os quais conheço bem e tenho imenso respeito.
Um projeto idêntico já foi apresentado na Câmara Municipal de Natal, mas teve sua proposta rejeitada. Isso não é legal. Estamos expondo a imagem de uma pessoa que tem aprovação comprovada no coração de todos os natalenses e norte-rio-grandenses: a saudosa Governadora Wilma de Faria.
O momento é de nos colocarmos no lugar dos familiares de Newton Navarro. A saudosa Governadora Wilma de Faria é merecedora de todas as homenagens que se possam imaginar. Contudo, precisamos lembrar e respeitar que a decisão de denominar a ponte de Newton Navarro foi tomada pela própria Governadora Wilma de Faria.
Em relação a essa questão, está claro que não há mais espaço, no exercício da cidadania, para esse tipo de ação. Precisamos sempre nos colocar no lugar dos familiares da pessoa à qual a obra já foi dedicada. Não podemos homenagear desonrando.
Aos deputados, que tenho imenso respeito, fica aqui o meu apelo, como um simples cidadão que pensa e tenta proteger a história de nossa linda cidade e estado. Que não deixem ser aprovado este projeto.
Para finalizar, deixo uma simples sugestão: na zona norte de Natal, há várias avenidas que não têm nome de pessoas, como por exemplo: Itapetinga, Maranguape, Fronteiras, Paulistana, Acaraú, entre outras. Acredito que a Itapetinga seria uma ótima opção, pois é uma avenida linda, bem arborizada, com várias mangueiras, comércios e vida noturna.
Na verdade, acredito que chegou a hora de as denominações públicas passarem obrigatoriamente pelo crivo de pesquisadores e historiadores, para que possamos denominar com mais assertividade.
– Texto: Ricardo Cobra;
– Bacharel em Direito;
– Fundador e atual vice-presidente do Instituto IAPHACC;
– Pesquisador autor do Projeto de Resgate da Locomotiva Catita 3;
– Autor do Projeto do Museu Ferroviário Manoel Tomé de Souza;
– Membro fundador do Instituto INSPIRA.
– Cidadão Natalense pelo Decreto Legislativo nº 1607 de 16/12/2022.

Respostas de 2
Estou de acordo com tudo que foi citado pelo Ricardo.
Concordo plenamente com tudo que foi dito, e perfeitas foram todas as sugestões.