Sua hipótese estava lançada, todavia outros preferiram se valer da fragilidade do “devendo” para se deterem em outra opinião. Cascudo, que em 1946, na História da Cidade do Natal, havia timidamente declarado ser Albuquerque o fundador e, conhecendo a opinião de Moreira Brandão, afirmado ser Colaço; no seu livro Nomes da Terra, lançado em 1968, expressa nova opinião onde acredita ter sido Manoel de Mascarenhas Homem o responsável pelo feito da fundação, pois, segundo o mesmo, “ele continuava interessado no cumprimento das ordens reais”, nas quais estava expressa a fundação da cidade. Então, a cidade passa a contar com três hipóteses. E a de Mascarenhas Homem parece ganhar novo impulso quando, em 1979, Hélio Galvão faz um longo estudo e assim afirma ser o que realmente aconteceu.
O autor utiliza os argumentos da autoridade de Mascarenhas Homem e o fato de Colaço ter assumido o cargo de capitão-mor somente em janeiro de 1600, ao menos oficialmente.
A dúvida então é a seguinte: Colaço já governava em 1599, entretanto o alvará de nomeação somente o investiria “regiamente”, “oficialmente” no cargo em 1600. Este alvará, documento de suma importância para o entendimento destes detalhes, somente foi publicado em 1973 por Tarcísio Medeiros, tendo sido Olavo de Medeiros Filho quem primeiro atentou para os seus detalhes, já em 1991. Poder-se-ia dizer, se Colaço somente em 1600 passa legalmente a assumir o cargo, que não há motivos para se fundamentar a ideia de que o mesmo teria fundado a cidade, pois à época não teria autoridade para cumprir as ordens régias. Entretanto, o Alvará de Provimento, expedido de Lisboa e assinado por Felipe II, deixa claro que se há igualmente de recompensar Colaço pelos préstimos já exercidos naquela função em data anterior ao documento.
Das provas documentais existentes, as mais conclusivas são aquelas que apontam Colaço já exercendo a função de capitão-mor antes de 1600, quando recebeu o alvará de nomeação. Analisando estes dados, a conclusão que se chega, sob esse enfoque, análise e ponto de vista, é esta. As proposições de ser Albuquerque e Homem são falhas ou, a este nível, bem mais incompletas e menos fundamentadas. Uma se vale de interpretações, muitas vezes, errôneas, do que se processou, bem como de compilações livres posteriores. A outra, por sua vez, parece assemelhar-se ao caso de, o autor não acreditando nem em um nem em outro argumento, prefere lançar mão deste último, por eliminação.
João Rodrigues Colaço é, pois, o fundador de Natal.
📝: Valério Augusto Soares de Medeiros
🗺️: Mapa das capitanias hereditárias no século XVI (Natal das antigas)
Com informações: Livro “O Potiguar”
Texto: Valério Augusto de Medeiros
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