A Dúvida Sobre o Fundador de Natal (Parte I)

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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15/03/2025 às
20:18

Partir para o traçado e definição, enquanto personagem, do fundador da cidade do Natal exige atenção e uma revisão bibliográfica apurada das fontes que se referem a este tema. Delineando o problema, podemos vislumbrar os três constantemente citados candidatos a autores do evento em discussão. O primeiro, Jerônimo de Albuquerque, é o fundador tradicionalmente aceito e referenciado.

O segundo, Mascarenhas Homem, é assim acreditado em razão da hierarquia (era então capitão-mor de Pernambuco, isto é, das terras que mais riquezas traziam para a Coroa) e das funções regias que recebeu, dentre elas, a de fundar uma cidade. E, por fim, temos sido o primeiro capitão-mor da capitania nascente do Rio Grande, João Rodrigues Colaço, hipótese defendida pelo pesquisador Moreira Brandão, ao buscar, nas entrelinhas dos documentos descobertos nas décadas do século XX, novas respostas para a dúvida da fundação.

Entretanto, para análise requer uma atenção apurada: são três os prováveis fundadores e uma infindável bibliografia, pelo caráter crítico, dificulta o encontro de respostas mais esclarecedoras.

O processo de entendimento da fundação é complexo e envolve muitos fatores. Analisando a narrativa de Frei Jaboatão, já no século XVIII, percebe-se que a fundação de Natal está acompanhada de texto referente à biografia de Jerônimo de Albuquerque: pela proximidade, confundem-se, embora o religioso, tal qual Frei Vicente em 1627, não informe enfaticamente quem teria sido o fundador de Natal.

Já Aires de Casal, nitidamente se baseando nestes dois textos anteriores, mescla as informações e então deixa expresso que o fundador de Natal teria, de fato, sido Jerônimo de Albuquerque. Estava lançado o que Moreira Brandão classificaria como “asserção dos historiadores modernos”.

A estes relatos, acrescenta-se ainda o do Visconde de Porto Seguro, Adolfo de Varnhagen, o pai da historiografia brasileira.

Já no século XX, novos documentos e narrativas surgem e dão início a uma série de questionamentos acerca do fundador de Natal. O Padre Serafim Leite publica a carta do Provincial Pero Rodrigues, documento contemporâneo aos fatos, que dá luz a uma nova hipótese lançada por Moreira Brandão Castelo Branco em 1950: teria João Rodrigues Colaço governado já em 1599 e sido, portanto, o fundador de Natal?

Seus argumentos se apresentavam conclusivos e embasados, a ponto de Câmara Cascudo, poucos anos depois, igualmente deixar registrado em seu livro História do Rio Grande do Norte que acreditava ser procedente a opinião de Castelo Branco.

Contudo, em face da ausência de algum documento mais expressivo, Brandão conclui seu texto afirmando: “devem os documentos provar se Rodrigues Colaço teria sido o fundador”.

O uso do deverão não agregava uma certeza definitiva, mas uma dúvida que o autor deixara, dessa maneira, a questão em aberto.

Com informações: Livro “O Potiguar”

Texto: Valério Augusto de Medeiros

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