Foto: Rogério Torquato/DN
Ao Lado de sua esposa, dona Evane da Costa Freire, união que completou 65 anos; eles tiveram quatro filhos.
ELE QUERIA ERA SER ÁRBITRO
Exemplo, ele chegou a jogar, mas no futsal e no campo preferiu o apito.
Entre os fins da década de 1950 e o início da década de 1980 ele esteve ali, em cima dos lances, tanto no futebol quanto no futsal. Muitas vezes como árbitro-onde, apesar de todos os percalços inerentes ao cargo, ganhou bastante respeito e credibilidade – e mais tarde como dirigente. O nome do homem é Zilson Freire.
“É Zilson mesmo. Z-i-l-s-o-n. Muita gente acha que eu me chamo Nilson, mas é Zilson. Com Z”, principia. Seu nome completo? Zilson Eduardo Freire, nascido na véspera do feriado da Independência de 1934. “Nasci aqui em Natal, no Alecrim, perto da Igreja de São Pedro, pertinho de um casarão onde funcionou uma vez a (Rádio) Cabugi”.
Bem cedo se embrenhou no esporte – e logo pelo futebol. Estava estudando no Atheneu Norte-Rio-Grandense (depois de um bom tempo no Instituto Rio Branco, que funcionava à Rua São Tomé, no Centro) quando… “Comecei menino no time juvenil do Santa Cruz. Não o do interior, havia um Santa Cruz aqui em Natal. Depois eu participei da equipe de aspirantes, só não fui titular… eu era lateral direito, às vezes eu jogava até na esquerda!” Nessa equipe de aspirantes, entre outros, se destacou Ivanildo Barbosa, que se tornou lateral no ABC quando o alvinegro voltou ao Campeonato Estadual em 1954. “Tínhamos como dirigente Evaldo Maia, pai de Marcelo Maia, aposentado da Aeronáutica e na época representante da Varig… e um médico de nome Marcelo”.
EU QUERO É APITAR!
O Santa Cruz foi seu primeiro time. Mas teve uma outra equipe onde atuou as bases do Atlético “Menino Travesso” do desportista João Machado. “Paulo, eu, Chula; Zeca, Getúlio, Paulo Caranguejo; Vicente, Genival, Olavo, Tarcísio Carvalho e Siqueira. Uma vez jogamos contra o ABCzinho, que tinha Dé e Nei Andrade, no campo onde fica hoje o CCAB Norte (o antigo estádio Maria Lamas). Começamos na frente, mas no finzinho o ABC empatou, terminou 1 a 1”.
Um dia, resolveu parar de jogar. Era o ano de 1953. “Fiz um curso de arbitragem. Foi por livre e espontânea vontade!”, jurou. “O futebol era minha paixão. Fiz o curso, na mesma turma de Jáder Correia, Luiz Meireles, Hermes Araújo… fui aprovado”. Pronto, se Zilson queria apitar, agora estava podendo.
Porém, a pedido da família, depois de quase cinco anos se afastou das arbitragens de futebol. Digamos que o terreno era meio perigoso… o pai, “Seu” Artur, um dia resolveu acompanhar um jogo que Zilson comandava no estádio Juvenal Lamartine. Era um jogo onde uma das equipes era o Alecrim – “O Alecrim tinha uma torcida pequena, mas muito barulhenta. Aquela torcida sempre fez barulho!”. Lá pelas tantas, marcou um lance contra o Alecrim, bem próximo à torcida alviverde.
Não mais que de repente, um coco voou da arquibancada em sua direção. Escapou por centímetros do pior. “Seu” Artur ficou horrorizado. Em casa, chamou o filho para uma conversinha de pé-de-orelha. “Papai disse que imploraria de joelhos para que eu deixasse de ser árbitro, que eu não precisava daquilo, não tinha necessidade… eu respondi que não precisava se ajoelhar”. E deu uma pausa no futebol, em fins de 1957.
FUTEBOL DE SALÃO, POR QUE NÃO?
Parou com o futebol. Mas a coceira era grande. Arbitrar o quê? Chegou o ano de 1958 e com ele um convite especial -futebol de salão (hoje futsal), por que não? “A Federação Norte-rio-grandense de Futebol de Salão (FNFS) foi fundada em 1957. O presidente era José Alexandre. Ele me convidou, aceitei. Tive como colegas de arbitragem Rossini Azevedo e Davi Lopes, entre outros. E no ano seguinte (1959) fui considerado como o melhor árbitro!”
Mas, o que havia em termos de futebol de salão naquele tempo? Certo é que a modalidade estava começando em Natal, com gosto de gás. “De 1958 em diante surgiram craques como Cezimar (Borges), Wilton, Salvador (Lamas)… haviam times como o Bola Preta, que tinha muitos bons jogadores, como o goleiro Arlindo; o Paladino, o ABC, o América, o Alecrim, o Santa Cruz… além de um time dos Correios que, coitado!, só levava de goleada”.
E assim seguiu até 1981 – onde esteve presente em diversas competições nacionais (sendo a mais emocionante a decisão do brasileiro de 1963, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde dirigiu uma final incendiária entre as seleções da Guanabara e de São Paulo, auxiliado pelos gaúchos José Batista Rodrigues e Fernando Bestete) e até eventos universitários (tantos, a partir de 1968, que acabou sendo integrado ao quadro da Confederação Brasileira de Desporto Universitário – CBDU).
Na foto abaixo da esquerda para direita podemos ver José Batista Rodrigues, Zilson Freire e Fernando Bestete.
DIRIGENTE
Achou pouco só resolver as coisas dentro das quadras. Acabou sendo chamado para resolver problemas também fora delas – tornou-se o responsável pelo departamento de árbitros da Federação Norte-Rio-Grandense de Futebol entre as décadas de 1970 e 1980, nas gestões de Cícero Almeida e Carlos Alberto Nobre; afastou-se da entidade-circunstâncias, circunstâncias! – quando a mesma estava sob o comando do interino Rui Soares.
Na foto abaixo da esquerda para direita podemos ver as seguintes pessoas: Cicero Almeida (FNF), João Batista de Paiva (FENAT) e Zilson Freire.
Na foto abaixo, Zilson Freire mostra as muitas homenagens que colecionou ao longo de sua carreira.
PARALELO AO APITO, AS PEÇAS DE AUTOMÓVEIS.
Paralelo às atividades relacionadas com a arbitragem, Zilson foi além do Atheneu e fez alguns cursos no Colégio Santo Antônio (hoje marista), entre eles o de administração. Mais tarde, se viu até o pescoço em meio a peças de automóveis!
“Meu primeiro emprego foi na J. L Fonseca, trabalhei lá por 16 anos. Depois, a Cosern precisou de alguém que entendesse de peças de carro, aí eu fui. O teste foi fácil demais, já que eu mexia há muito tempo com peças… e entrei na Cosern em 1970, como comprador. Dois anos depois eu já ocupava cargo de chefia”. Nisso se seguiram mais 28 anos até a aposentadoria.
Aproveitou ainda para constituir família. Casou-se com Evane da Costa Freire – em outubro último a união completou 65 anos! Daí surgiram quatro filhos – Eduardo Zilson (dentista), Zilvane (a única mulher da família, dentista), Paulo Eduardo (empresário e dirigente do América – não é outro senão Paulinho Freire) e Sérgio Eduardo – e oito netos (Artur, Luísa, Marina, Manuela, Natália, Laura, Fernando e Fernanda).
Texto: Rogério Torquato da Equipe do Poti, publicado no Caderno de Esportes, domingo, 18/11/2007 – Diário de Natal, O Poti. Pág. 5.



