Os historiadores brasileiros, de um modo geral, quase não falam sobre o tropeiro no Brasil. É uma injustiça de nossa história. Essa figura corajosa e dinâmica que varou os sertões, o agreste e o litoral dos Estados do nosso país, muito contribuiu para a economia, transportando mercadorias e víveres para as populações das diversas regiões brasileiras.
Na verdade, seu trabalho era cheio de sacrifícios, renúncia e imprevistos de toda natureza. Sua trajetória do dia-a-dia era uma ventura palmilhada de desconforto, por caminhos penosos, e, às vezes, nunca viajados. Sujeito aos rigores do sol, da chuva e de outros contratempos, subindo e descendo serras íngremes, atravessando rios e alagadiços, quase não dormindo, alimentando-se precariamente, sofrendo as agruras das canseiras c, muitas vezes, sem água para beber, tudo a serviço das comunidades distantes.
Não se pode esquecer que os caminhos desse profissional, da época, serviam de espreita para inimigos, emboscada, onça traiçoeira e perigosas cobras.
Padre Antônio Vieira afirma com muita lucidez: “O tropeiro é o bandeirante do sertão. A História do Brasil foi escrita em lances e estilo de epopeia. Tudo na base do pioneirismo. Tudo com gestos dramáticos e o destemor de heróis. O jesuíta foi o bandeirante da educação. O paulista, bandeirante de geografia. O tropeiro, bandeirante da economia”
E mais adiante, o padre acrescenta: “Espírito corrido, como diz o povo, ele vai semeando amizades e criando vínculos de afeição. Todos dependem dele. Todos esperam por ele. Todos os recebem com simpatia. Porque aguardam cartas ou encomendas, notícias ou mensagens de amigos distantes. Uma carta para o correio distante ou para qualquer ponto afastado. Compras a fazer, dinheiro e tantos outros obséquios importantes que ele executa com facilidade absoluta”.
Depois de vários páginas escritas, discorrendo sobre a importância do tropeiro, Padre Vieira finaliza, afirmando categoricamente: “A vida do tropeiro está a merecer páginas sentidas e vibrantes de unção de um Euclides da Cunha para que se conheça toda a grandeza de sua renúncia, todos os rasgos de heroísmo desses homens incultos, analfabetos, rudes que engrandeceram mais os fastos da história que toda a tropa de moluscos morais dos políticos que enxameiam os parlamentos, os palácios, as repartições públicas”.
Outro historiador que descreveu, também, ressaltando o valor desse “bandeirante”, foi o norte-rio-grandense Pery Lamartine, quando diz: “Na década de 30 era impossível viver no sertão sem a colaboração do tropeiro. Ele era uma mistura de caminhoneiro, agente de compras e correio. Tinha de saber lidar com a tropa (burros mulos), com arreios, conhecer bem os caminhos, os atalhos, ter bom relacionamento comercial, ser honesto, ter saúde e coragem para viajar só, pelos sertões adentro”.
Vê-se que para ser tropeiro precisava preencher alguns pré-requisitos. Além de saber lidar com as alimárias, tinha que ter saúde, ser honesto e coragem para viajar.
Os tropeiros conduziam e lidavam com tropas de burros, mulas e cavalos, eles eram transportadores de alimentos, cartas e todo tipo de mercadoria; eram comerciantes, desbravadores e verdadeiros guias.
Com Informações Livro: Evolução Econômica do Rio Grande do Norte
(Do Século XVI ao Século XX) – Paulo Pereira dos Santos.
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