Angicos/RN

Ana Tersuliano
|
02/02/2025 às
09:00

Desmembrado do município de Assu, suprimida pela Lei Provincial n° 26 de 28/03/1835 e restaurada em 13/10/1836 pela Resolução Provincial n° 9.

Coordenadas Geográficas – Latitude: 5° 39′ 56″ Sul

– Longitude: 36° 36′ 04″ Oeste

Limites:

Norte: Afonso Bezerra e Pedro Avelino;

Sul: Santana do Matos e Fernando Pedroza;

Leste: Pedro Velho, Pedro Avelino e Lajes;

Oeste: Itajá e Ipanguaçu.

Desmembrado de Assu por Ato em Conselho do presidente da Província de 11/4/1833; suprimido pela Lei Provincial nº 026/1835, de 28/3/1835; e restaurado pela Lei Provincial nº 009/1836, de 13/10/1836.

Trata-se de município criado ainda no século XIX, e os arquivos da Assembleia não guardam o processo legislativo de sua criação.

Mas as crônicas históricas registram a participação da então Assembleia Legislativa Provincial em diversas vicissitudes pelas quais passou o hoje município de Angicos.

Quando vimos Assu, noticiamos a reivindicação dos angicanos para manter seu município, suprimido em 1835, o que por pouco não levou a atos de aberta violência. É que, criado o município de Assu ainda no século XVIII, a ele se haviam incorporado os territórios de Angicos, Macau e Santana do Matos”, para, logo em seguida, se despertarem os anseios dessas populações por autonomia.

Quanto a Angicos, foi desmembrado do Assu por Ato, em Conselho, do presidente da Província Miranda Henrique, de 11 de abril de 1833, mas já aos 28 de março de 1835, pouco mais de um mês depois de instalada, a Assembleia Provincial, com sanção do presidente Quaresma, fez voltar Angicos ao domínio do Assu.

Aluizio Alves debita o revés à oposição de Santana do Matos. Vale a transcrição do texto desse angicano, filho de pais com raízes santanenses. Elevado Angicos a município, diz Aluízio:

“Esse ato marca o início de uma campanha prolongada e dolorosa, despertando ódios, alimentando queixas, e cujos efeitos perniciosos conseguiram transpor o tempo, perdurando anos afora.

A população de Santana (do Matos] julgou-se prejudicada nos seus direitos, e moveu, com espantosa tenacidade, a luta apaixonada que tiraria a Angicos a conquista da independência”.

Informa Aluízio Alves que a oportunidade surgiu logo com a instalação da Assembleia Legislativa Provincial (a primeira Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte), que tinha entre os seus membros mais influentes o Padre João Teotônio de Souza e Silva, Vigário Colado de Santana do Matos. Pode-se imaginar a intensidade dos debates na Assembleia entre os partidários das duas Vilas.

O embate começou com vitória do vigário e deputado, e a Lei Provincial 26, de 28 de março de 1835, suprimiu a Vila de Angicos, “revertendo o seu município para a Vila da Princesa [Assu), donde foi desmembrado”

Os angicanos se revoltaram, e o Governo Provincial ameaça com os Avisos de 11 de fevereiro e 24 de março de 1836: “esgotados os recursos e meios conciliatórios, tivessem lugar os de força”.

As coisas iam assim se aproximando da violência quando assume o novo Governo na Província, com o presidente Ferreira de Aguiar, que logo tratou de conciliar os interesses em choque.

A solução foi restaurar Angicos, e também criar o município de Santana do Matos, o que foi feito em ato único, a Lei Provincial 9, de 13 de outubro de 1836.

Esta lei fixa os limites originais de Angicos, que alcançavam o Oceano Atlântico, inclusive a hoje cidade de Macau.

A propósito, com Macau foi o novo embate. A Lei Provincial 158, de 2 de outubro de 1847, sancionada pelo presidente Morais Sarmento, criou o município de Macau, cujo território, como visto, já se incluía no de Angicos, mas para Macau foi transferida a sede do município.

O verdugo dessa vez foi antigo vereador de Angicos, mas macauense de prestígio, o Coronel Jerônimo Cabral Pereira de Macedo. Eleito deputado, puxou a sardinha para sua Macau, e conseguiu aprovar aquela Lei Provincial 158.

Mais uma vez foi preciso esperar a mudança de Governo, e a alternância do prestígio político dos chefes interioranos. O certo é que, com a posse do presidente José Joaquim da Cunha, Angicos voltou ao que era antes, sede do município.

Quase cem anos depois dessas peripécias, a Vila de Angicos recebeu o título de cidade, pela Lei nº 20, de 24 de outubro de 1936, publicada em a República do dia seguinte. Segundo Câmara Cascudo, o projeto fora apresentado à Assembleia aos 24 de agosto de 1936, pelos deputados Pedro Matos e Gonzaga Galvão.

ANGICOS

Lei nº 470

A Lei Municipal no 470, de 1º de dezembro de 1995, institui a Bandeira e Brasão de Armas do município de angicos

BANDEIRA

Constituída de um retângulo composto de duas faixas de igual largura, sendo a superior branca simbolizando a paz e harmonia, e a verde a exuberância da vegetação; tendo, ao centro, o escudo do município.

BRASÃO DE ARMAS

Estilo português, 8 x 7 módulos, lembrando a presença lusitana em nossa terra, campo caracterizando o clima quente e seco; Pico do Cabugi, patrimônio histórico do Estado, símbolo característico do município, obra prima de incomparável beleza natural, traduzindo força, dinamismo e ação renovadora dos angicanos. O galho de árvore representa o “Angico”, planta em abundância na região, originando o topônimo do município. O cacto ou palmatória, como é comumente chamada, produz frutos muito apreciado pelo povo, e alimento para o gado em tempo de estiagem, servindo também de transação comercial entre as classes menos favorecidas. O chapéu de couro, homenagem ao vaqueiro, fazendeiro e fundador do município, Antônio Lopes Viegas, ressalta a preponderância da pecuária na região em épocas anteriores, chegando a ocupar no Estado o 2º lugar em renda percápta. Na faixa amarela, o nome da cidade e a data de sua elevação.

Hino Oficial da Cidade de Angicos/RN

Salve Angicos cidade pioneira

Cujos nomes de heróis se proclamou

O teu solo regado com o sangue

Dos teus filhos que aqui os procriou.

Angicanos predestinados (bis)

Coração e alma varonil

Conquistaste a glória

Cantarás vitória

Sempre de pé pelo Brasil.

Angicanos soldados centro norte

Artilheiros cidade cidadãos

Para nós o teu nome

É uma bandeira

A bandeira da nossa redenção

Deus bem quis que marcada tu ficastes

Grandes nomes ilustres no Brasil

Caminhai e cantai com alegria

Aos teus filhos que aqui te consagrou

Juventude forte e varonil.

Angicanos predestinados (bis)

Coração e alma varonil

Conquistaste a glória

Cantarás vitória

Sempre de pé pelo Brasil.

Agricultores, operários e doutores

Batalharam com coragem e amor

Nós que queremos neste dia exaltar

Todos eles que lutaram com fervor.

Angicanos predestinados (bis)

Coração e alma varonil

Conquistaste a glória

Cantarás vitória

Sempre de pé pelo Brasil.

Letra por Rita Rodrigues Palhares
Melodia por William Koppen de Oliveira

Abaixo pode-se ver mapa mostrando a cidade de Angicos no Estado Rio Grande do Norte:

ANGICOS – TERRAS POTIGUARES

“Árvore frondosa”

A tradição diz que os índios da tribo Pataxós foram os primeiros habitantes da localidade, mas não existe prova para essa afirmação, a não ser o nome de um rio, o Patachoca.

A verdade, que pode ser comprovada, é que um desbravador chamado Antônio Lopes Viegas, descendente da família Dias Machado, fundou a povoação, tendo como ponto de partida o Sítio dos Angicos. O nome Angicos pertence a uma frondosa árvore existente, em boa quantidade, na região.

Com a prosperidade obtida em seu trabalho, Antônio Viegas conseguiu, no ano de 1760, comprar o Sítio dos Angicos. Seu Antônio veio a falecer, em 1805, na condição de maior proprietário da localidade, fundador do povoado, e responsável pela construção da Capela de São José.

Em 11 de abril de 1833, o próspero povoado de Angicos tornou-se município desmembrando-se de Assu. Essa situação durou pouco, já que dois anos depois, a emancipação foi suprimida e a localidade reincorporada a Assu, pela Lei Provincial n° 26. Angicos reconquistou sua autonomia, em 13 de outubro de 1836, pela Resolução Provincial nº 9, quando foi desmembrado pela segunda vez. Porém, onze anos depois, sua sede foi transferida para a povoação de Macau (que lhe pertencia na época) no dia 2 de outubro de 1847 e mais uma vez Angicos perde sua autonomia. Finalmente, no dia 27 de junho de 1850, Angicos foi, definitivamente, desmembrado de Macau e alçado, pela terceira vez, à condição de município. Muito tempo depois, em 24 de outubro de 1936, veio a receber foros de cidade.

Localizado na Região Central do Estado, o município de Angicos está a 170 quilômetros de distância da capital, tendo uma área de 742 quilômetros quadrados de extensão, onde residem 11.583 pessoas, sendo 9.362 no setor urbano, e 2.221 na zona rural. Angicos limita-se com Afonso Bezerra, Santana do Matos, Pedro Avelino, Lajes, Ipanguaçu e Itajá.

A economia local segue a vocação histórica e se baseia na produção agrícola, na avicultura e na pecuária. No município ocorrem incidências minerais de Rocha Ornamental e Dimensionada. O artesanato do município apresenta trabalhos de confecções de esteiras, chapéus de palha, jarros de cerâmica e talhas em madeira.

O abastecimento d’água é feito através da Adutora Sertão Central Cabugi, com captação feita na Barragem Armando Ribeiro Gonçalves. O município conta ainda com os açudes Boqueirão de Angicos, com capacidade para quase vinte milhões de metros cúbicos d’água; e o Novo Angicos, com capacidade para mais de cinco milhões de metros cúbicos d’água.

O turismo conta com a Serra do Pico do Cabugi, com 590 metros de altitude; o monumento comemorativo pela passagem do século XIX para o XX; e o famoso Banho de Gangorra. No aspecto cultural, o turismo oferece visitas às históricas fazendas: Alvorada, Paraíso, Recanto, Umburana, Bom Sucesso e Casinha.

A terra de Angicos é famosa também por suas vaquejadas, conhecidas em toda a região. As manifestações folclóricas ficam por conta da Dança do Camaleão; e a Lenda dos Tapuios de Angicos.

A festa do padroeiro local, São José, acontece no dia 19 de março, e atrai fiéis de toda a região.

ANGICOS – NOMES DA TERRA

Município em 11 de abril de 1833. Desmembrado ao Açu. Supresso e reincorporado ao Açu em 28 de março de 1835. Restaurado a 13 de outubro de 1836. Transferida a sede para a povoação de Macau, que lhe pertencia, em 2 de outubro de 1847. Reinstalado a 27 de junho de 1850. Cidade a 24 de outubro de 1936.

Região pastoril no agreste, já possuindo fazendas nos finais do Séc. XVII. Os irmãos Paulo e Joseph Coelho de Souza, em novembro de 1682, recebiam terras que se extremavam entre o Rio Açu, a SERRA CABOGY e o mar. Em 1715 a área da atual Cidade de Angicos compreendia-se numa fazenda de criar do Coronel Alexandre Francisco da Costa, residente na Bahia. Essas posses, com ou sem benfeitorias, foram vendidas ao Tenente Antônio Lopes Viegas, adquirente do Sítio dos ANGICOS, ao Coronel Miguel Barbalho Bezerra em 1760. Ao falecer em 1805, era o maior proprietário local, fundador da povoação, iniciador da Capela de São José, (freguesia em outubro de 1836), padrinho do futuro município, com sede na VILA DE ANGICOS. Os angicos, Piptadenias, verdes, numerosos, abrigadores, deram o nome que ficou. Escola em setembro de 1851. Seria habitada, em correrias, caça e colheita de frutos silvestres, pelos indígenas tupis e tarairiús, coexistentes e adversários. O Rio PATACHOCA fêz supor a existência dos PATAXOS, jés, que jamais pisaram território norte-rio-grandense. Ver o topónimo.

De ANGICOS saíram os municípios de JARDIM DE ANGICOS, (1890) PEDRO AVELINO, (1948), AFONSO BEZERRA, (1953). MACAU, autônomo em 1847, era povoação de ANGICOS, embora este não perdesse territorialmente com sua criação.

Jornais que circularam ou circulam em Angicos

CABUGY

Este foi o primeiro jornal publicado em Angicos. O seu corpo redacional era assim constituído: diretor, Francisco Veras Bezerra; secretário, Francisco Peres; gerente, Wanderlinden Germano; redatores, Zacarias de Araújo, Vicente Barbosa e José Gabriel. Composto e impresso na imprensa diocesana, Natal, circulou o seu primeiro número em 1º de janeiro de 1929, inserindo colaboração de Cristóvão Bezerra Dantas, Zacarias Araújo, Vicente Barbosa, Francisco Veras Bezerra (Apontamentos Históricos), Raul Macedo, José Gabriel, J. C. F. (iniciais de João Celso Filho), Tobias, além da matéria redacional. Circulando com oito páginas bem escritas e bem impressas, O Cabugy fez circular o primeiro número em papel couchê, apresentando fotografias do Dr. Juvenal Lamartine de Faria, presidente do Estado, professor Francisco Gonzaga Galvão, primeiro prefeito do Município, Dr. Cristóvão Bezerra Dantas, e professor Francisco Veras Bezerra, diretor de O Cabugy. O segundo número, correspondente ao segundo ano, e datado de 1º de janeiro de 1930, insere colaboração de Paulo Benevides, Daserra, pseudônimo de Francisco Veras Bezerra, Cristóvão Bezerra Dantas, monsenhor João da Mata Paiva, Francisco Veras Bezerra (Apontamentos Históricos II), José Gabriel, Dario de Andrade, Davi Trindade, Devéras, pseudônimo de Francisco Veras Bezerra, Discurso do prefeito Gonzaga Galvão, Rômulo Wanderley, Zacarias de Araújo, Palmério Filho, além da matéria redacional. O Cabugy publica fotografias do prefeito Gonzaga Galvão, Serra do Cabugy, Francisco Veras Bezerra, Manoel Alves Filho, padre Felix Aires de Souza, capitão José da Penha; Zacarias Araújo é substituído na redação por Rômulo Wanderley. O Cabugy teve boa aceitação nos meios intelectuais. Tristão Barros, escrevendo na edição de 20 de janeiro de 1929, de O Porvir, de Galvanópolis (Currais Novos), dizia: “Sobre a escrivaninha de Vivaldo Pereira encontrei O Cabugy. Ninguém acredita. O Cabugy em cima de uma frágil mesa de pausetim, com pernas finas e polidas! Parece uma brincadeira. Lá o encontrei muito mais elegante, mais sólido, mais soberbo, mais gigantesco do que o pico de granito que o leitor conhece. O Cabugy de que eu falo é o jornal de Angicos. Angicos está de parabéns. Dada a força de vontade dos filhos daquela terra e a existência ali de inteligências capazes de empreendimentos dessa natureza, O Cabugy não me surpreendeu. Trouxe apenas a amostra do pano. É o testemunho do progresso na terra de José da Penha. Enfeixa colaborações escolhidas e proveitosas. Dentre outros trabalhos literários que nos prendem a atenção citamos ‘Apontamentos Históricos’ por Francisco Veras. Eu, franqueza, não gosto de histórias compridas. Tenho logo sono e raras vezes vou ao fim. Os ‘Apontamentos’ do Veras engoliram 8 colunas. Caramba!!! Devorei-os, entretanto, com interesse e ansiedade. Longe da aridez característica dos fatos históricos, reveste-se aquele artigo de muita suavidade pela doçura e encanto da linguagem. O Cabugy é bem o atestado frisante da inteligência, do bom gosto e da capacidade de trabalho dos moços que o escrevem. Aos angicanos registro aqui os meus sinceros parabéns. E aos que fazem O Cabugy, a minha admiração e o meu aplauso”.

Este artigo de Tristão Barros não ter nada de louvaminheiro. O Cabugy, realmente, apareceu como uma revelação. E pena ter ficado no segundo número.

CLARIM

Jornal datilografado escrito pelo menino Aluízio Alves, que o fazia circular com a crônica dos fatos anglicanos, fazendo antever o jornalista e tribuno político que se destacaria mais tarde à frente de grandes jornais, como a Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, e a Tribuna do Norte, de Natal, e galgaria os mais altos postos da política, sendo o mais jovem constituinte nacional em 1946, governador do Estado e ministro da Administração do governo José Sarney.

COMBATE

Semanário das Oposições Coligadas no Município de Angicos. Fundado e dirigido pelo deputado Aluízio Alves, O Combate teve o seu primeiro número publicado em 1948. Não vimos os primeiros números deste jornal. Os números 48 e 49, correspondentes aos dias 1º e 8 de outubro de 1949, ano II, inserem colaboração de Apolo, J. G. de Araújo Jorge, além da matéria redacional. Era mimeografado e custava Cr$ 0,50 o exemplar.

Com Informações Livros e Links:

– Foto Igreja de Angicos, Tribuna do Norte, Link:

https://www.tribunadocabugi.com.br/2024/07/angicos-fica-em-1-lugar-em-indice-de.html;

– História Legislativa dos Municípios do Rio Grande do Norte;

– Bandeiras e Brasões de Armas dos Municípios do Rio Grande do Norte;

– Hino Fonte Link Abaixo:

https://pt.wikisource.org/wiki/Hino_do_munic%C3%ADpio_de_Angicos

– Mapa fonte link abaixo:

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brazil_Rio_Grande_do_Norte_Angicos_location_map.svg

– Terras Potiguares – Marcus Cézar Cavalcanti de Morais;

– Nomes da Terra – Luís da Câmara Cascudo;

– Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte 1909-1987 – Manoel Rodrigues de Melo

Comentários

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *