1 de abril de 1964: Invasão da Prefeitura Municipal de Natal por tropas do Exército.
2 de abril de 1964: Deposição e prisão. Repele a proposta do Coronel Mendonça Lima, Comandante da Guarnição de Natal, de trocar sua liberdade pessoal pela renúncia ao mandato de Prefeito. É recolhido ao cárcere do 16° Regimento de Infantaria do Exército.
29 de abril de 1964: É ouvido em interrogatório pelo investigador Carlos Veras e assina depoimento que integrará o IPM (transcrito em anexo).
15 de julho de 1964: É transferido do 16 RI para o quartel da Polícia Militar de Natal.
15 de agosto de 1964: É transferido e confinado à Ilha de Fernando de Noronha. agosto, (…) É transferido da Ilha de Fernando de Noronha para o 14 RI, no Recife, onde fica internado no Hospital Militar.
Outubro 1964: (…) O deputado Carvalho Neto obtém ordem de “Habeas Corpus”, por unanimidade, do Supremo Tribunal Federal em seu favor, mas o Coronel João Dutra de Castilho, Comandante do 14 RI (Regimento de Infantaria), do Recife, recusa-se a cumpri-la.
10 de outubro de 1964: É demitido pelo Governador Aluízio Alves dos cargos de diretor da Diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura de Natal e de instrutor do Colégio Estadual do Ateneu Norte-rio-Grandense.
Novembro de 1964: (…) Segunda ordem de HC do STF é cumprida e é libertado.
Novembro de 1964: (…) Viaja com o deputado Carvalho Neto para o Rio de Janeiro e passa a ser hóspede do senador Dinarte Mariz.
Novembro de 1964: (…) Asila-se na Embaixada do Uruguai, publicando na imprensa do Rio de Janeiro o manifesto “Palavras ao Povo” no qual afirma: “Não creio na validade de ‘Habeas Corpus’, neste momento”.
25 de março de 1965: O Governador Aluízio Alves comunica ao Coronel João Batista de Oliveira Figueiredo, Chefe da Agência do SNI no Rio de Janeiro, que demitiu Djalma Maranhão de cargos no Estado e na Prefeitura de Natal (Ofício 186/GR).
4 de maio de 1965: É indiciado na VII Região Militar (Recife).
9 de julho de 1965: Carta ao Dr. Roberto Furtado. Diz: “Estou com um pé no estribo para viajar (Montevidéu). Aguardo ajuda econômica que, por seu intermédio, mandei solicitar aos amigos. Tem avião dia 14.
Julho de 1965: (…) Assina o manifesto “Mensagem ao Povo Brasileiro”, datado de Montevidéu, em que reafirma suas posições políticas, agradece as manifestações de solidariedade da Igreja, de instituições e lideranças políticas do RN e declara que “esse manifesto poderá ser também, um testamento”.
Maio de 1966: (…) Revalida seu “Habeas Corpus” e aceita o convite do Sindicato de Jornalistas da Alemanha para fazer naquele país um tratamento para o coração, lá permanecendo por seis meses.
1967, (…)(…): Premido por saudades insuportáveis planeja regressar, clandestinamente, ao Brasil. É dissuadido pelo casal amigo, José e Neném Pacheco, que o visitava em Montevidéu, face aos riscos que correria.
20 de agosto de 1968: Carta ao filho, Marcos Maranhão. Diz: “Não desespero. Sei esperar. A idade dos povos não se mede pela idade dos homens. A minha luta é a continuação (…) dos movimentos nativistas que plantaram a semente da Pátria”.
4 de outubro de 1968: Carta para a esposa, Dária. Diz: “Nas cartas que na próxima semana mandarei para Marcos, João Maria e Evaristo, falarei a vagar de diversos assuntos, inclusive como estou encarando a possibilidade de meu retorno”.
25 de março de 1969: É condenado pela VII Região Militar (Recife) a 16 anos e seis meses, sob invocação da Lei de Segurança Nacional (lei 1802/53).
7 de maio de 1969: Carta ao Desembargador João Maria Furtado, do exílio
do Uruguai, informa que recebeu a notícia da condenação na VII Região Militar e que somente aceita o julgamento da História.
8 de maio de 1969: Carta para Jacyra Brandão Furtado. Diz: “Minha situação econômica agravou-se. Não é do meu temperamento comentar essas coisas. Peço remeter (…) o aluguel da casa da Rua Jundiaí (…) Os primeiros meses de 1969 (…): a pior fase”.
12 de maio de 1969: Carta ao Dr. Roberto Furtado: “Deixe de lado o problema da apelação. O instante que estou vivendo é de sobrevivência econômica. Dois são os casos: venda ou aluguel da linotipo. Remessa de uma máquina de datilografia portátil.”
25 de janeiro de 1970: Carta ao Sr. Humberto Pignataro, autorizando-o a vender seu sítio em Extremoz. Diz: “O dinheiro que recebo aí do Brasil, com o que consigo ganhar aqui, representam 50% do aluguel do apartamento. (…) O negócio do dia é vender. Vivo com a corda no pescoço…
27 de fevereiro de 1971: Carta ao Dr. Roberto Furtado. Diz: “O carnaval aqui é uma lástima (…). Dura mais de um mês com um desfile de carros alegóricos e uns blocos (…) mas o povo não participa, fica somente olhando. No domingo fui ver o desfile. Era a mesma coisa dos anos anteriores”.
30 de julho de 1971: Morre, no exílio.
Abaixo podemos ver um registro fotográfico da primeira Praça de Cultura de Natal. Na foto, o educador Paulo Freire discursa ao lado do Prefeito Djalma Maranhão. Na primeira fila: O vice-prefeito Luís Gonzaga dos Santos, a Poetisa Zila Mamede, a senhora Dária Maranhão e o desembargador Wilson Dantas.

Na foto abaixo podemos ver um acampamento escolar da campanha “De Pé no Chão, Também se Aprende a Ler”. A proposta da Prefeitura era a erradicação do analfabetismo

Na foto abaixo podemos ver uma classe num acampamento escolar da campanha “De Pé no Chão, também se Aprende a Ler”. A educação foi a meta nº 1 do Prefeito Djalma Maranhão.

Com informações e imagens do livro: 2 Livros de Djalma Maranhão – Moacyr de Góes. Crédito da capa: Marcelo Mariz.
Neste livro, uma das dedicatórias foi feita ao amigo e professor José Willington Germano, o primeiro intelectual brasileiro a levar para o âmbito acadêmico da universidade a discussão sobre a campanha De Pé no Chão, Também se Aprende a Ler.

Uma resposta
Vivi na época referida e conheci de perto as pessoas referidas. Djalma Maranhão grande brasileiro que foi brutalmente retirado da Prefeitura do Natal, para a qual havia sido eleito pela vontade soberana do povo Potiguar era jovem na época