“São outros quinhentos!” vale dizer, são outras razões; é um nôvo caso; outro aspecto; outra coisa, outro assunto…
É uma frase diária e comum por todo o Brasil dos nossos dias.
Na Visita das Fontes, um apólogo dialogal de D. Francisco Manoel de Melo, publicado em Lisboa em 1657, um Soldado, conversando com a Fonte Velha do Rossio, responde a um reparo mais vivo da sua interlocutora: — Essas são outras mil & quinhentas!
Era, pois, de uso em Lisboa há trezentos e sete anos.
No Tesouro da Língua Portuguesa, de Frei Domingos Vieira, (2.ª ad. Lisboa, 1874), há uma notícia complementar: — “Isto são outros quinhentos! quer dizer que alguém pronunciou nôvo disparate afora os que havia já soltado.” Quanto à origem e evolução temática, não sei mais nada, presentemente. Ficamos apenas sabendo que a frase é velha de três séculos e nos veio de Portugal.
Com informações livro: Coisas que o povo diz – Luís da Câmara Cascudo.
Foto gerada com recurso digital.
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