A freguesia da Redinha (uma pequena divisão administrativa local subordinada ao município de Pombal, com gestão comunitária própria, mas integrada à administração municipal), atualmente pertencente ao concelho de Pombal, possui uma história que remonta à época da romanização. Em 1159, recebeu foral de D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, passando a integrar os domínios administrados pela Ordem do Templo na região.
Em 29 de janeiro de 1186, o Papa Urbano III confirmou, por meio da bula Intelleximus ex autentico, a posse das igrejas de Pombal, Ega e Redinha pela Ordem do Templo, colocando-as sob a proteção da Santa Sé. Com a extinção da Ordem dos Templários, no século XIV, os seus bens e direitos passaram para a Ordem de Cristo, que deu continuidade à administração do território.
A 16 de maio de 1513, D. Manuel I concedeu à Redinha um novo foral, marcando uma fase de desenvolvimento da localidade. Durante séculos, a freguesia foi vila e sede de concelho, dispondo de Câmara, cadeia e forca. O concelho era composto pelas freguesias da Redinha e de Tapéus e contava, em 1801, com 1.848 habitantes.
As Invasões Francesas provocaram profundas alterações na administração local. Com a transferência das autoridades para Pombal, a Redinha perdeu gradualmente a sua autonomia administrativa e deixou de exercer as funções de sede concelhia. Em 1842, foi integrada no concelho de Pombal. Mais tarde, pelo decreto de 7 de setembro de 1895, passou para o concelho de Soure, regressando definitivamente ao concelho de Pombal por decreto de 13 de janeiro de 1898.
Quanto à origem do topônimo, alguns estudiosos da toponímia local defendem que o nome Redinha pode ter derivado da palavra roda, que teria evoluído para Rodinha e, posteriormente, para Redinha. Essa interpretação relaciona-se com as características naturais da região, marcada pela presença do rio Anços, dos Olhos de Água e de outros cursos de água que favoreceram a instalação de moinhos movidos por rodas hidráulicas utilizadas na moagem de cereais. A importância dessa atividade para a economia local pode ter contribuído para a formação e preservação do nome da freguesia ao longo dos séculos.
A Redinha, localizada na margem norte do rio Potengi, em Natal, tem suas origens ligadas aos primeiros tempos da colonização portuguesa no Rio Grande do Norte. Em 1603, o capitão-mor João Rodrigues Colaço concedeu uma sesmaria ao vigário Gaspar Gonçalves da Rocha, numa das mais antigas referências documentais à ocupação da região. Ao longo do século XVII, a localidade desenvolveu-se rapidamente como núcleo pesqueiro e, em 1611, já era descrita nos registros da época como o principal porto de pesca da Capitania do Rio Grande.
A origem do nome Redinha é objeto de debate entre os historiadores. A interpretação mais conhecida, defendida por Luís da Câmara Cascudo, sustenta que o topônimo foi trazido por colonizadores portugueses em referência à freguesia da Redinha, situada na região de Leiria e Pombal, em Portugal. Essa hipótese está associada a uma prática comum da colonização portuguesa, que consistia em transferir para o Brasil nomes de localidades da terra natal dos colonos.
Uma segunda interpretação relaciona a origem do nome à própria atividade pesqueira que marcou a história da localidade. Sendo um importante porto de pesca, era comum a presença de numerosas redes de arrastão utilizadas pelos pescadores e estendidas ao longo da praia para secagem e manutenção. Nesse contexto, o termo “Redinha” poderia ter surgido como uma referência direta às pequenas redes ou ao lugar onde elas se concentravam.
Embora não exista consenso definitivo sobre a origem do topônimo, ambas as interpretações refletem aspectos fundamentais da história local: a influência portuguesa na formação do território e a forte ligação da comunidade com a pesca, atividade que durante séculos constituiu a principal base econômica e cultural da Redinha.
Foto: ilustrativa
Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente.
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