“Nenhuma criança deveria crescer esperando apenas ser escolhida. Toda criança merece crescer sendo amada”. Foi com esse sentimento que o deputado estadual Hermano Morais (MDB) abriu, nesta sexta-feira (22), no plenário da Assembleia Legislativa, uma sessão solene em homenagem à 12ª Semana Estadual da Adoção, que este ano traz como tema, “Amor, a verdadeira fórmula da adoção”. A sessão acontece em conjunto com a deputada estadual Divaneide Basílio (PT), 3 dias antes do Dia Nacional da Adoção, lembrado a cada 25 de maio.
“A adoção é, antes de tudo, um ato de amor, responsabilidade e construção de vínculos. Porque família vai muito além dos laços biológicos. Família é presença, compromisso e amor diário. Por isso, esta Casa presta hoje uma justa homenagem às pessoas e instituições que dedicam suas vidas à causa da adoção e da proteção da infância”, disse o deputado Hermano em seu discurso, registrando o reconhecimento à Coordenadoria Estadual da Infância e a da Juventude do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, “pelo importante trabalho desenvolvido em defesa das crianças e adolescentes do nosso estado”.
A homenagem foi estendida aos grupos de apoio à adoção Abrace Parnamirim, Acalanto Natal e Afeto Mossoró. Ainda foram reconhecidos como responsáveis por ‘transformar vidas através do amor’, a servidora do Tribunal de Justiça, Ana Yaci de Almeida Bezerra; o médico pediatra Francisco Américo Micussi; o juiz titular da 1ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Natal, José Dantas de Paiva; a psicóloga Juliana Almeida Sá de Moraes, mãe adotiva de 3 irmãos; o promotor de justiça, Sasha Alves do Amaral; o juiz titular da 2ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Natal, Sérgio Roberto Nascimento Maia e a professora da UFRN, Symone Fernandes de Melo.
Em seu discurso o deputado Hermano Morais fez um alerta, lembrando as muitas crianças que ainda não conseguiram suas famílias. “Precisamos enfrentar desafios importantes no campo da adoção. Um dos maiores deles ainda é superar a escolha baseada apenas na aparência física, idade ou perfil idealizado da criança. Muitas crianças continuam esperando por uma família justamente por não se encaixarem no chamado “perfil mais procurado”, alertou Hermano, afirmando que as crianças mais velhas, adolescentes e grupos de irmãos ‘também sonham em viver em um lar cheio de afeto, cuidado e dignidade’.
Hermano destacou o projeto de lei complementar de sua autoria, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, que garante licença parental de 120 dias para casos de adoção ou guarda judicial para fins de adoção, assegurando igualdade entre filhos biológicos e adotados, além de incluir homens adotantes nesse direito. “Um avanço importante para as famílias adotantes do nosso estado”, ressaltou Hermano, justificando que a matéria é fruto de sugestão da Coordenadoria criada pelo Tribunal de Justiça.
Depois da entrega de placas de homenagem, a sessão seguiu com a apresentação do Coral da Assembleia e o discurso do juiz José Dantas de Paiva, representando a Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude, que em seus dados oficiais mostra que o Rio Grande do Norte tem hoje 243 crianças e adolescentes acolhidos, estando 52 aptos à adoção e 48 já em processo de adoção. O juiz relatou a importância de cada instituição que atua junto à Coordenadoria, para garantir cada vez mais os direitos das crianças e dos adolescentes.
“Nessa área ninguém pode trabalhar sozinho. Sozinhos nós não somos nada. É uma verdade, porque quando eu assumia a Vara da Infância e da Juventude, eu vinha de um período pós código de menores, quando o juiz de menor, entre aspas, naquela época, era autoridade máxima dentro de um sistema, e tudo passava por ele, e nada cresceu”, justificou.
Em nome dos homenageados, a psicóloga Juliana Almeida Sá de Moraes e fez um comparativo da conexão de pessoas com o mesmo propósito e árvores que se conectam no subsolo, formando algumas frondosas que dão sombra e outras que germinam à sombra destas. “Os meus filhos e assim como tantas outras crianças, eles são como essas árvores menores, eles germinaram em um local que não era propício e eles precisaram que essa rede fosse acionada para que sobrevivessem enquanto não nos encontrávamos”. Ela citou exemplos da história dos homenageados, ressaltando o que lhe restou como experiência para ajudar na construção de “um ótimo repertório para tornar essa jornada muito mais leve”.

Foto: Eduardo Maia
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