Clubes e Associações Esportivas

Ana Tersuliano
|
07/05/2026 às
13:59

O Rio Potengi e o mar despertaram o natalense para os esportes náuticos. O Brasil inteiro conhece e aplaude os doze pescadores que daqui partiram, a 28 de agosto de 1922, remando em três pequenos barcos, ioles, até o Rio de Janeiro. Depois de 23 dias no mar, aportam com vivas.

O remo inaugura os esportes coletivos em Natal. A primeira competição, datada de 1897, parte à altura do Passo da Pátria e chega ao Palácio do Governo, na atual Rua Chile.

Em 1915, surgem as associações do remo: Centro Náutico Potengi e Sport Clube de Natal. Em março de 1916, já existem barcos de regatas fabricados na cidade. É também o ano de ouro do futebol, com o surgimento do América, ABC e Alecrim.

O Sport e Náutico iniciam as disputas, com vitórias e glórias. O Iate Clube de Natal somente virá a instalar-se na Rampa, em Santos Reis, a 6 de janeiro de 1954.

A primeira bola de futebol chega a Natal em 1903, trazida pelos irmãos Pedroza. Nota Cascudo:

“Era uma novidade estonteante, só se conhecia a bola de palha de milho para bater com a palma da mão. Ou então bola de borracha pra menino. Como divertimento de gente grande, ninguém imaginava a existência e função.”

O primeiro jogo de futebol ocorreu na atual Praça André de Albuquerque, organizado por Fabrício Pedroza Júnior e seus irmãos.

O América é o primeiro clube de futebol a ter personalidade jurídica, a 3 de outubro de 1918, substituindo as cores, o azul e branco iniciais pelas definitivas vermelho e branco.

Fatos narrados por torcedores americanos exigem pesquisas para comprovação. O clube ganharia, em tempo, nobreza, pioneirismo. O nome América seria em homenagem a Américo Vespúcio, que em 1501 em nosso Rio Grande, tomou posse do Brasil. Também se diz que o futebol de quadra, que deu origem ao futsal de hoje, era aqui praticado na década de 30 e foi difundido para todo o Brasil, levado por oficiais da Marinha e da Aeronáutica aqui sediados nesta cidade. No início da década de 60, o América promove em quadra, na Rua Maxaranguape, o primeiro campeonato de futebol-mirim, com trave pequena e cinco jogadores. Os times vestem as cores azul, vermelho, verde e têm torcida organizada. São craques dessa época: Sylvio Pedroza, Humberto Nesi, Clezo Bezerra, Odilon Garcia, Antonio Jacó Lamas. São artilheiros maravilhosos os irmãos Antomar e José Ferreira de Souza.

O América é o primeiro campeão de Natal (1919), no certame promovido pela Liga de Desportos Terrestres. É ainda o América a deixar o amadorismo: o primeiro a contratar jogadores profissionais.

Histórias de exaltação de torcedores são muitas. Ninguém superou em entusiasmo o professor de direito Antonio Soares de Araújo, quase sempre vestido de linho branco, sapato preto brilhante, gravata vermelha, sorriso fácil. Conta Sanderson Negreiros:

“Certo domingo à noite, assisti Antonio Soares elogiar vibrante a atuação de um novo jogador do América, chamado Pedrinho, vindo do sul como salvação da pátria. E o …”

Diógenes da Cunha Lima

O professor argumentava: Pedrada é um jogador que pega a bola no meio do campo, sai em disparada e, driblando a defesa do ABC, passa até pelo goleiro… Nessa altura, alguém grita: Mas não faz o gol. De pronto, o professor abafou a dúvida: Sim, você está certo. Se ele fizesse o gol, não estaria no América, mas na Seleção Brasileira…

O hino do América diz bem o pensamento da torcida: “Eu sou América e tenho orgulho de ser…”. Tem letra de Dedinho Leiros e Hilton Accioli.

O ABC Futebol Clube passa a existir de direito em 1927. A inspiração do nome teria vindo do Cone Sul: Argentina, Brasil e Chile. Tem a maior torcida do Estado, chamada frasqueira, e é campeão por maior número de vezes. O seu hino é de autoria do consagrado compositor potiguar Dozinho. Canta-se:

ABC clube do povo, campeão das multidões, serás sempre o mais querido…

O seu belo estádio de futebol, localizado na Rota do Sol, conhecido como O Frasqueirão, é projetado para abrigar trinta mil torcedores.

A paixão esportiva faz torcidas amotinadas entre o ABC e o América no futebol, como já fizera entre Sport e o Centro Náutico.

Alecrim Futebol Clube, heptacampeão do Estado, obteve três vezes a taça da Cidade do Natal. Foi um dos seus fundadores (e goleiro) o futuro Presidente da República, Café Filho.

As cores do Alecrim são verde e branco, por isso o verdão. Seu hino também de autoria do compositor Dozinho é cantado com muito amor:

É voz geral da torcida potiguar / o negócio só tem graça se o Alecrim jogar.

Com informações a obra, Natal: uma nova biografia, de Diógenes da Cunha Lima.

Com informações livro: Natal. Uma nova biografia – Diógenes da Cunha Lima.

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente

e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

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