Desmembrado de Papari (Nísia Floresta). Lei nº 778, de 11 de dezembro de 1876.
Coordenadas Geográficas – Latitude: 6° 11′ 40″ Sul. Longitude: 35° 09′ 37″ Oeste
Limites:
Norte – Nísia Floresta e São José de Mipibu
Sul – Goianinha e Tibau do Sul
Leste – Senador Senador Georgino Avelino e Tibau do Sul
Oeste – São José de Mipibu e Goianinha
Arês foi feito município, desfeito e feito de novo diversas vezes! Segundo Câmara Cascudo, o município está em antiquíssimo aldeamento indígena, surgido ainda ao tempo da Guerra dos Bárbaros, pois já em 1691 havia a aldeia de São João Batista de Guaraíras, berço da Vila de Arês. A Igreja da Vila é citada em documento de 1703.
Tavares de Lira informa que a freguesia” já existia desde o século XVIII. Lira contesta aqui o historiador Moreira Pinto, para quem a freguesia fora criada por alvará régio de 13 de agosto de 1821.
Fato é que a aldeia de São João Batista de Guaraíras era governada pelos padres jesuítas, ordem religiosa expulsa de Portugal e de seus domínios em 1759. O poderoso ministro português Marquês de Pombal enviou a Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará ordens para que as aldeias jesuíticas fossem elevadas a vilas, com a administração conforme as demais vilas, de governo civil, e respeitados os índios, sua liberdade, bens e comércio.
Para cumprir tais ordens, veio de Portugal o desembargador Bernardo Coelho da Gama Casco, que fundou a vila de Arês aos 15 de junho de 1760, nessas circunstâncias especiais.
Acrescenta Tavares de Lira, e já aqui citando Studart, Notas para a História do Ceará, dados estatísticos da época, dentre os quais são mais interessantes: “rapazes que andam na escola; raparigas que aprendiam a fiar, tecer e coser; rapazes aprendendo vários ofícios; casais; solteiros; pobres [!] de um e outro sexo.
Houve altos e baixos daí para frente. Tanto que a Assembleia Geral Legislativa, em 7 de agosto de 1832, antes, portanto, da instalação da Assembleia do Rio Grande do Norte, suprimiu o município de Arês, ao criar o de Goianinha. Mas a Lei Provincial nº 318, de 8 de agosto de 1855, sendo presidente da província António Bernardo de Passos, restaurou Arês. Já no governo de Leão Veloso, nova supressão pela Lei Provincial nº 519, de 21 de abril 1864, e volta a Goianinha.
Não terminaram as idas e vindas, pois a Lei Provincial nº 559, de 16 de dezembro de 1864, na administração de Olinto Meira, retirou Arês de Goianinha para o incorporar a Papari (atual Nísia Floresta).
Finalmente, a Lei Provincial nº 778, de 11 de dezembro de 1876, sendo presidente da província António dos Passos Miranda, restaurou definitivamente Arês como município.
O predicado de cidade só veio com o Decreto nº 457, de 29 de março de 1938, baixado por força do Decreto-Lei Nacional nº 311, de 2 de março de 1938, que atribuiu o título de cidade a todas as sedes municipais.
AREZ/RN
A Lei Municipal nº 455, de 09 de setembro de 2011, institui a Bandeira e Brasão de Armas do município de Arez.

BANDEIRA
Retângulo verde em quadriláteros, separados pela cruz vermelha, representando a exuberância da vegetação, terras férteis e progresso econômico. A cruz, sinal de fé, em vermelho, traduzindo energia, força coragem e destemor; ao centro, o escudo do município.

BRASÃO DE ARMAS
Estilo peninsular ou clássico, em diagonais, 8 x 7 módulos, encimado por arco e flechas, homenagem ao cacique Jacumahuma, iniciador da comunidade local. Campo azul com matizes verde e amarelo caracteriza os aspectos histórico-cultural, geográfico e turístico. Na pala sob o azul do céu, o Canhão da Ilha, marco histórico de lutas e conquistas potiguares contra invasores; Convento em arquitetura original registra atuação educadora catequética e missionária dos Jesuítas fundadores da “Missões de São João Batista de Guaíras”, construtores do convento. A frente da Igreja estão monumentos históricos: Santa Coluna e Cruzeiro. Como atrativos turísticos e geográficos, Lagoa de Guaraíras e Ilha do Flamengo; atividades econômicas industriais e extrativas, representadas pelas canas, coqueirais embelezam a paisagem, roda denteada transmite força propulsora ao maquinário das usinas, engenhos de açúcar e viveiros de camarão. No listel azul-celeste, o topônimo do município.
HINO DA CIDADE DE AREZ/RN
Majestoso, há séculos surgistes,
Começando jornada triunfal!
O teu nome aos decênios resiste,
Na história tu és catedral!
Tua ilha, as canções envolventes,
Guaraíras o espirito, enfim,
Sempre em ti se fizerem presentes,
E por isso, cantamos assim:
REFRÃO
A nossa gente vibrante está
E homenagens grandiosas te faz,
Pelas glórias que deste ao Estado
Ó querido pedaço de paz!
O padroeiro abençoando lá do alto
Esta terra de amor tão profundo
E o teu povo, empolgado te exalta,
Bendizendo o labor tão fecundo!
Que prossigas no afã venerado
De cumprir teu destino invulgar,
Sendo Arez no Brasil projetado
Na grandeza de uma raça sem par
REFRÃO
A nossa gente vibrante está
E homenagens grandiosas te faz,
Pelas glórias que deste ao Estado
Ó querido pedaço de paz!
Letra: Francisco Pinto da Fontoura
Música do Comendador Maestro Joaquim José Mendanha,
Com harmonização de Antônio Corte Real
Abaixo mapa do Rio Grande do Norte mostrando a localização da cidade de AREZ:

AREZ
Jacamahuma chega a Guaraíras”
Devido a desentendimentos no aldeamento Papary, o cacique Jacamahuma parte em busca de novas terras e as encontra às margens da Lagoa de Guaraíras. Surge dessa forma a primeira comunidade do que viria a ser a futura Vila de Arês.
A chegada dos holandeses já encontra a comunidade com sinais de progresso. O estrategista Maurício de Nassau manda abrir um canal para a entrada de navios na Lagoa, e planeja a construção de um porto no local.
O projeto, entretanto, não conseguiu ser concretizado. Os holandeses foram expulsos, perseguidos pelos portugueses e, no esforço de resistência, construíram fortificações numa ilha existente no centro da Lagoa. Os soldados fugitivos permaneceram nas fortificações da Ilha do Flamengo, nome dado pelos holandeses, até a derrota final em 1651.
Os padres jesuítas chegaram a localidade em 1659 e, comandados pelo Padre Sebastião Figueredo, iniciaram ação da catequese junto aos aldeamentos indígenas de Guaraíras e da Lagoa de Papeba. Nesse período, fundaram a Missão de São João Batista de Guaraíras, construindo Igreja e Convento.
Por Ordem Régia de D. José I, Rei de Portugal, do ano de 1758, os aldeamentos indígenas deveriam ser suprimidos e transformados em Vilas com elementos jurídicos de autonomia local. Dessa forma os jesuítas foram expulsos, e no dia 15 de junho de 1760 a comunidade recebeu o título de Vila, com o nome de Vila Nova Arês, dado pelo Juiz de Olinda, Miguel Carlos Caldeira Castelo Branco. O nome Arês representa uma homenagem dos portugueses a uma vila existente com o mesmo nome no Alentejo, em Portugal. A Vila Nova de Arês foi a segunda Vila fundada no Rio Grande do Norte e uma das primeiras células da formação municipalista do Estado.
No dia 7 de agosto de 1832, Arês deixou de ser município e passou a integrar o novo município de Goianinha. Somente no ano de 1876, quando era Presidente da Província o Dr. Antônio Passos de Miranda, Arês voltou a ter o privilégio da autonomia, tornando-se, novamente, município, pela Lei nº 778, de 11 de dezembro daquele ano.
O município está localizado a 48 quilômetros da capital, contando com uma área de 113 quilômetros quadrados de extensão, e uma população de 11.458 habitantes, sendo que 6.846 vivem na zona urbana, e 4.612 no setor rural. Arês limita-se com Nísia Floresta, Goianinha, Tibau do Sul, Senador Georgino Avelino e São José de Mipibu.
A economia do município é baseada na pesca, na carcinicultura e na agricultura. Conta também com grande produção de açúcar e álcool, através da presença de uma das maiores empresas da região: a Usina Estivas. O abastecimento d’água da cidade vem da chamada Grande Lagoa: a Lagoa de Guaraíras.
Seu artesanato tem trabalhos de tecelagem com destaque para a confecção de redes de dormir; objetos feitos de palha; trabalhos em labirinto; rendas; e artigos de cerâmica.
O folclore local se mantém ativo com manifestações populares onde se destacam o Pau Furado, Boi de Reis, Pastoril e Fandango.
Seus principais atrativos turísticos são a Lagoa de Guaraíras e a Ilha do Flamengo, representando história e beleza natural. O visitante pode também ver a história na Igreja e no Convento, ambos construídos pelos jesuítas; na Santa Coluna; no Canhão; e no Mural em relevo de pedra.
O município tem comemorações para dois santos padroeiros. A festa de São João Batista, que acontece no dia 24 de junho, e a de Nossa Senhora da Conceição, no dia 8 de dezembro. Também se destacam as Festas de Santos Reis, 5 e 6 de janeiro; de Emancipação Política, dia 15 de junho; do Camarão, em novembro; e a Amostra Cultural das Escolas do município, em agosto.
AREZ/RN
Em 15 de junho de 1760, fundava-se a VILA NOVA DE AREZ. Suprimida em 7 de agosto de 1832, criando o município de Goianinha e transferindo a sede de AREZ. Restaurado em 8 de agosto de 1855. Extinto a 21 de abril de 1862, incorporando-o à Goianinha. Transferido para a Vila Imperial de Papari em 16 de dezembro de 1864. Restaurado em 11 de dezembro de 1876. Cidade em 29 de março de 1938.
Zona de lavoura, intensamente trabalhada e habitada mesmo antes da colonização portuguesa. Chamava-se ALDEIA ANTONIA em 1612. Estabelecimento agrícola e militar durante o domínio holandês. Aldeia de indígenas tupis, da língua geral, sob a direção dos padres jesuítas em 1760, mas possivelmente fundada nos finais do século anterior. Possuía 949 moradores indígenas. Era a ALDEIA DE SÃO JOÃO BATISTA DE GUARAIRAS, aludindo à grande lagoa próxima. As instruções, acompanhando os alvarás e leis de 6 e 7 de junho de 1755, 8 de maio e 14 de setembro de 1758, determinavam a substituição dos nomes nativos nas povoações pelas denominações de localidades portuguesas. Instalou-a o Juiz de Fora de Olinda, Dr. Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco, repetindo o nome de uma vila do Alentejo distrito de Portalegre, em Portugal. Foi a segunda Vila no Rio Grande do Norte
Em 1963, desmembrou-se do seu território área para constituir o município de SENADOR GEORGINO AVELINO
Com Informações Livros e Links:
– História Legislativa dos Municípios do Rio Grande do Norte – Assembleia Legislativa do RN;
– Bandeiras e Brasões de Armas dos Municípios do Rio Grande do Norte Anadite Fernandes da Silva;
– Hino Fonte Link Abaixo:
https://pt.wikisource.org/wiki/Hino_do_munic%C3%ADpio_de_Apodi
– Mapa fonte link abaixo:
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brazil_Rio_Grande_do_Norte_Apodi_location_map.svg
– Terras Potiguares – Marcus Cézar Cavalcanti de Morais;
– Nomes da Terra – Luís da Câmara Cascudo.
– Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente, colaborador do Blog do Cobra.
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