Locomotiva nº 300, (Maria Fumaça), na época da foto patrimônio da Estrada de Ferro Sampaio Correia – E.F.S.C., posteriormente pertencente a Rede Ferroviária Federal – S.A. – RFFSA. Esta Locomotiva era a máquina a vapor que puxava o Trem da Esperança.

Foto: Acervo Museu Ferroviário Manoel Tomé de Souza
Abaixo imagem do Carro da Administração da Rede Ferroviária Federal – R.F.F.S.A., construído pelo ferroviário Manoel Tomé de Souza – (Manosinho), e amigos, e utilizado na campanha do candidato Aluízio Alves.Trem da Esperança – Foto: Reproduçao Internet

No link abaixo veja – Jingle da Campanha de Aluízio Alves “Trem da Esperança” (Eleições 1960 / Rio Grande do Norte).
https://www.youtube.com/watch?v=jRwOVDp5Z74
O MARKETING POLÍTICO NO RIO GRANDE DO NORTE: A CAMPANHA “CRUZADA DA ESPERANÇA” (1960).
No Rio Grande do Norte, o primeiro político que utilizou o marketing político foi Aluízio Alves, que transformou a campanha “cruzada da esperança” realizada do ano de 1960 em um marco na política do Rio Grande do Norte. Foi a primeira campanha planejada com marketing político e pesquisa de opinião pública. Sobre o processo, Henrique Alonso: “Nas eleições de 1960, Aluízio Alves representou a liderança que iria romper com o atraso, com as lideranças políticas conservadoras. Entretanto, era nessas lideranças e, mais especificamente, na oligarquia algodoeiro-pecuária que se localizava sua origem política. Para criar essa nova imagem, produziu-se um verdadeiro espetáculo, onde Aluízio era o principal ator e a empresa de publicidade contratada tinha a direção (…). a contratação de uma empresa de publicidade para produzir e supervisionar uma campanha política eleitoral foi, sem sombra de dúvida, uma grande inovação verificada nas eleições de 1960 no Rio Grande do Norte “. Aluízio Alves esteve sempre ligado a José Augusto e a Dinarte Mariz através dos vínculos políticos junto a UDN, Aluízio foi eleito deputado federal em 1946, reelegendo-se desde então, somando-se no final sete legislaturas vinculadas a UDN e em 1955 trabalhou arduamente na campanha que levou Dinarte Mariz ao governo do Estado. Aluízio Alves esperava a indicação do seu nome para suceder Dinarte Mariz no governo do Estado, porém, seu nome foi rejeitado pelo próprio Mariz. Ainda sem encontrar o nome ideal para ser o candidato situacionista, o governador Dinarte Mariz afastava por completo, aquela altura, a candidatura do deputado Aluízio Alves. Achava Mariz que, se eleito, Alves com certeza se tornaria uma nova liderança política, ofuscando completamente a sua. Dinarte Mariz lançou como candidato a sua sucessão o deputado Djalma Marinho e para vice o deputado Vingt Rosado, que tiveram a seu favor a máquina eleitoral • é É dinartista, com grande influência no interior do Estado. Como candidato de oposição, Aluízio Alves rapidamente assumiu a liderança do seu grupo de apoio: contou com a aprovação do presidente Juscelino Kubitschek, recebeu apoio dos dissidentes da Unidade Democrática Nacional – UDN (liderados por José Augusto), entre outros partidos contou com o Partido Social Democrático – PSD, Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, Partido Democrata Cristã – PDC, e o Partido Social Progressista -PSP. Para vice-governador foi escolhido Monsenhor Walfredo Gurgel, uma das mais fortes lideranças do PSD. Aluízio Alves conseguiu reunir em torno de sua campanha integralistas e comunistas. Como afirma Henrique Alonso: “E interessante perceber os apoios que a candidatura de Aluízio conseguiu “costurar”, partidos mais a direita como o UDN, e partidos mais à esquerda como o PTB.
Além disso, sua candidatura tinha também apoio de grupos integralistas e comunistas, ambos funcionando na clandestinidade e na ilegalidade”.
A campanha política de 1960 alterou o cotidiano da cidade do Natal como também mexeu com a calmaria do interior do Estado, o povo participou ativamente dos comícios e passeatas, as ruas pareciam verdadeiras “praças de guerra”, num duelo de cores, gestos e símbolos entre os partidários de Aluízio Alves e Djalma Marinho. 16 A campanha de Aluízio Alves foi entregue a uma agência de publicidade dirigida por Roberto Albano, Albano havia estudado marketing político nos Estados Unidos e na Inglaterra e foi um dos primeiros marqueteiros no Brasil. Em 1958, no Nordeste, Albano com seus métodos de marketing político ajudou Cid Sampaio a vencer as eleições para o governo de Pernambuco, o slogan “Quando o povo diz CID” virou uma “coqueluche” na época. O grande sucesso obtido por Cid Sampaio se espalhou e extrapolou às fronteiras do Estado, mas a grande novidade mesmo ficou por conta das pesquisas de opinião (pesquisas eleitorais), apesar que para quem não entendia os números e gráficos, geravam certas desconfianças. Aluízio Alves conheceu Roberto Albano através do usineiro Odilon Ribeiro Coutinho (paraibano que pertencia a uma família tradicional de usineiros e políticos ligados à UDN). Aluízio Alves neste sentido, foi um inovador, sendo o primeiro a utilizar o marketing político profissional em uma campanha política no Rio Grande do Norte. J7 Albano era sem dúvida uma das grandes novidades na campanha de 1960, além de dirigir a campanha, ele oferecia assessoria aos candidatos: na maneira de falar, no comportamento em público, e na forma de abordar certos temas de interesse popular. Não que ele transformasse o candidato em um robô mas aproveitava todas as potencialidades do político para torná-lo mais agradável ao gosto do eleitorado. 18 A coligação partidária que apoiava a candidatura de Aluízio Alves denominou-se “cruzada da esperança”. Este nome foi retirado de um artigo publicado pelo acadêmico de medicina e presidente do comitê estudantil pró-Aluízio Alves, Quinho Chaves Filho, na Tribuna do Norte. O artigo com o título “cruzada da esperança”, convocava os jovens universitários à luta pela campanha de Aluízio Alves, Roberto Albano após ter visto a idéia do comitê estudantil transformou-a no nome oficial da campanha política de Aluízio Alves. É importante salientar que nem tudo que foi realizado na campanha nasceu de Roberto Albano. Temos que reconhecer que o “feeling” pessoal do candidato Aluízio Alves unido as técnicas publicitárias de Roberto Albano proporcionaram o sucesso da campanha “cruzada da esperança”. Um bom exemplo foi a escolha da cor verde como símbolo da campanha que foi feita por Aluízio Alves de forma intuitiva. Sobre o processo João B. Machado: “A idéia nasceu de uma ouvinte do programa que Aluízio fazia na Rádio Poti – conversa com o povo – (…) insistia a ouvinte, “como sua campanha é denominada “cruzada da esperança”, por que não a cor verde?” Aluízio respondeu rapidamente: está escolhida a cor verde como símbolo da minha campanha “. O verde tornou-se a cor oficial da campanha e Aluízio Alves convocou a todos seus partidários que fossem à praça pública de camisas, lenços e bandeiras verdes. “Partidários mais exaltados enviaram dois sacos de lenços para o palanque de onde o candidato os jogava para a multidão à sua frente. estava, assim, chancelado pela vontade popular o uso do verde na campanha da “cruzada da esperança”. Como o estoque de tecido em Natal começou a escassear e o mesmo fenômeno ocorria nas maiores cidades do interior do estado, Aluízio lançou a idéia de que, quem não dispusesse de um lenço ou bandeira verde, tirasse um galho de uma árvore qualquer e o levasse para os comícios como se fosse a improvisação de um “lenço. Outro exemplo foi a idéia de usar o polegar direito para cima com a mão fechada. que partiu de Odilon Ribeiro Coutinho. Sobre o assunto, João B. Machado: “Foi de Odilon Ribeiro Coutinho a sugestão do polegar direito para cima com a mão fechada, sinal positivo que para os norte-americanos significava certo, OK legal Inicialmente, Albano não gostou da idéia porque “era coisa de americano e que não iria pegar por aqui”. Mas, devido a insistência de Odilon, a peça publicitária foi feita, em jornais, cartazes e adesivos e em pouco tempo se transformara numa das mais importantes da campanha, caindo rapidamente no gosto popular. Aquela “coisa de americano ” teve enorme aceitação popular e terminou se consagrando como símbolo do Aluizismo no Rio Grande do Norte. Aluízio Alves também encomendou uma música ao sambista carioca Edmundo Andrade, ele pediu que a letra falasse do seu plano de governo num clima de afirmação e otimismo. A letra da música, segundo João B. Machado: “Aluízio Alves; veio do sertão lá do Cabugi, para sanar o sofrimento de seu povo sua plataforma eis aqui: assistência e cuidados ao agricultor; melhores salários para o trabalhador! com a energia de Paulo Afonso industrialização; para a mocidade Potiguar saúde e educação, o povo oprimido, do operário ao doutor, escolheu seu candidato, Aluízio Alves para governador.
Além desta música que ficou conhecida como “Marcha da esperança”, foram compostas uma série de outras músicas: Rojão da Esperança, Frevo da Liberdade, Casa Popular, Esperança Realizada, É pra Valer, Hino da Vitória, entre outras. Como afirma Henrique Alonso: “Pesquisas de opinião pública (que, apesar de não seguirem a metodologia convencional — tratava-se apenas de idas a feiras e outros locais de concentração popular de pessoas que provocavam conversas sobre atitudes ou medidas tomadas por Aluízio – parecem ter sido extraordinariamente eficientes) “. A publicidade foi muito utilizada nos meios de comunicação na campanha Aluizista. A Tribuna do Norte, jornal fundado e dirigido por Aluízio Alves, foi utilizada sem medidas em sua campanha. No decorrer de todo o processo político eleitoral, a Tribuna do Norte exibia diariamente manchetes assim: “A candidatura de Aluízio Alves não pertence mais aos partidos porque pertence ao povo Potiguar. Ninguém vence o povo, para governador Aluízio Alves. Nunca foi tão fácil escolher o melhor! Aluízio Alves para governador. Aluízio – Walfredo: a esperança e a fé juntas salvarão o Estado. Aluízio: ser que o povo estará comigo em 3 de outubro, o Dia da Esperança. A campanha utilizou cartazes e “outdoors” que foram espalhados pelos principais pontos do Estado e que serviam para propaganda também em jornais, como a Tribuna do Norte e o Diário de Natal. Como afirma Henrique Alonso: “Nesses cartazes, Aluízio Alves era apresentado como a esperança para o desenvolvimento do Estado.
Temas como industrialização, trabalho, energia, transporte eram apresentados nos cartazes que tinham grande impacto visual. (…) Os textos dos cartazes sempre identificam uma situação específica de dificuldade pela qual passava o Estado, e apontavam Aluízio com a “esperança” de resolução dessas dificuldades. O rádio foi o veículo de massa mais popular utilizado na campanha “cruzada da esperança”. Aluízio comprava minutos diários na Rádio Poti, onde mantinha um programa chamado “conversa com o povo”. Neste programa, ele conquistava seu eleitorado, passando pelas ondas do rádio toda emoção da voz, todo entusiasmo, todo delírio que aconteciam nos comícios. Pelo rádio ele alcançava todo o Estado empolgando multidões de fanáticos. Em seus discursos Aluízio Alves tinha uma capacidade impressionante de improvisar. Como exemplo, afirma João B. Machado: “O deputado Aluízio Alves, num comício em Natal – já na fase final da campanha – respondendo aos insultos que sofria do sistema governista na imprensa e praça pública, rebateu: Me chamam de mentiroso; me chamam de demagogo; me chamam de traidor mas, depois do dia 3 de outubro, vão me chamar de governador do Rio Grande do Norte.” O contato direto de Aluízio com a população foi fundamental durante toda .a disputa eleitoral. A liderança carismática de Aluízio Alves empolgava as multidões, como afirma Carlos Eduardo Lins: “Efetivamente, o contato pessoal do candidato com os eleitores parece ter desempenhado uma função primordial na estratégia de comunicação da campanha de Aluízio em 1960. Foi construída uma imagem de “homem comum de candidato que resiste às máquinas políticas e “vai buscar sua força diretamente do povo. O povo estava fascinado com o espetáculo produzido por Aluízio Alves nesta campanha política. Ele conseguiu mobilizar e despertar tanto entusiasmo na grande parte da população, especificamente na classe de baixa renda, que pediu ajuda financeira ao povo para custear a sua campanha. Assim, foi criada a campanha “o tostão contra um réis milhão”. Esta campanha objetivava trocar um bônus por dinheiro. A Tribuna do Norte comentando a respeito: …será lançada… no Rio Grande do Norte, pelo próprio deputado Aluízio Alves, a grande campanha financeira para eleição dos candidatos da Esperança e da Fé; serão vendido ao povo bônus. A campanha oficial dos candidatos Djalma Marinho e Vingt Rosado, ao contrário da “cruzada da esperança” não tinha grandes novidades, a propaganda da campanha que teve o apoio do governador Dinarte Mariz, não se aproximava nem um pouco do impacto causado pela publicidade da campanha de Aluízio Alves. Sobre o processo Henrique Alonso: “A propaganda de Djalma Marinho e Vingt Rosado utiliza-se de um estilo tradicional, onde destacavam-se apenas as fotos dos candidatos. A campanha de Djalma, enfim, não contou com o refinamento técnico-publicitário verificado na Cruzada da Esperança”. A campanha de 1960 se desenvolveu num clima de radicalismo tanto por parte dos partidários de Aluízio Alves, como dos partidários de Djalma Marinho. O clima de hostilidade entre os dois lados permaneceu até o final da campanha. No dia 03 de outubro de 1960, a manifestação popular através das urnas consagrou a notável vitória de Aluízio Alves. Como afirma João B. Machado: Resultado Oficial: Djalma Marinho 98.195 Aluízio Alves 121.076 Branco 3.451 Nulos 2.883 TOTAL 225.60546. Desta forma pudemos constatar que a campanha “cruzada da esperança” por intermédio de Aluízio Alves utilizou muito bem os meios de comunicação; o aparato publicitário unido a habilidade pessoal política de Aluízio Alves introduziu uma campanha política inovadora no Rio Grande do Norte, podemos compreender esta campanha – cruzada da esperança – como a pioneira no uso do marketing político nas campanhas do Estado Norte-rio-grandense.
Aluízio Alves através da pesquisa de opinião pública foi capaz de se adequar ao gosto popular; utilizou jornais para penetrar nas classes que são formadoras de opiniões, assim, tentando disseminar sua ideologia, transformou a cor verde na marca da sua campanha simbolizando a “esperança”, criou as passeatas como forma de ter mais contato direto com o povo e a idéia da modernização constituiu a base do seu pensamento político.
Com informações:
MARILEIDE CARVALHO DE MACEDO
Monografia apresentada à disciplina Pesquisa Histórica II, ministrada pela Professora Denise Mattos Monteiro, do Curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob a orientação do Professor Almir de Carvalho Bueno.
O PIONERISMO DO MARKETING POLÍTICO NO RN: A CAMPANHA “CRUZADA DA ESPERANÇA” (1960)
NATAL/1999.
Leia a Bíblia!!!
Uma resposta
Eu sou Sargento da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte. Dr. Honoris Causa e Embaixador Da Paz, Bacharel Em Administração de Recursos Humanos no Setor Público, Pós graduado em Administração de Recursos Humanos no Setor Público, Pós graduado em Psicologia Orientação Vocacional Profissional, Pós. graduado em Engenharia Em Avaliação De Perícia. Pastor Evangélico formado pelo Instituto Gamaliel de Pernambuco Capelão Evangélico Militar, Juiz de Paz Eclesiastico Internacional. Natural de Angicos/RN.